Índia lidera ranking de mortes no trânsito

País é primeiro da lista apesar de ter ampla população rural e menos automóveis que muitos países ocidentais

The New York Times |

A Índia vive nas suas aldeias, dizia Mohandas K. Gandhi. Mas cada vez mais, o povo da Índia morre em suas estradas.

A Índia tomou o lugar da China como o primeiro país do mundo em mortes no trânsito em 2006 e manteve a posição - apesar de uma população amplamente rural, menos habitantes do que a China e menos automóveis do que muitos países ocidentais.

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Foto de agosto de 2009 mostra trânsito em estrada de Nova Délhi

Enquanto as mortes nas estradas em muitas outras grandes economias emergentes têm diminuído ou permanecido estável nos últimos anos, mesmo com o crescente aumento nas vendas de veículos, na Índia o número de vítimas mortais disparou - com um crescimento de 40% em cinco anos, chegando a mais de 118.000 em 2008, o último ano para o qual existem dados disponíveis.

A mistura letal de um fraco planejamento estrutural, aplicação da lei inadequada, aumento no número de caminhões e carros e uma onda de motoristas destreinados faz da Índia a capital mundial de mortes no trânsito.

Conforme a economia de rápido crescimento do país e sua população ganham mais importância no cenário mundial, o crescente número de vítimas no trânsito é um alerta de que o governo ainda tem dificuldade de manter a população de mais de um bilhão de pessoas segura.

Na China, que tem passado pelo seu próprio boom automobilístico, as mortes no trânsito vem diminuindo ao longo da última década, chegando a 73.500 em 2008, conforme novas estradas separam carros de pedestres, caminhões e outros veículos lentos, e o governo age para coibir o consumo de álcool entre motoristas e outras violações.

A perigosa situação nas estradas indianas representa um "total fracasso por parte do governo da Índia", disse Rakesh Singh, cujo filho de 16 anos, Akshay, foi morto por um caminhão fora de controle quando caminhava para um casamento no ano passado.

A direção incauta e a mistura de pedestres e veículos pesados em alta velocidade são comuns.

A estrada que vai de Déli à Grande Noida, uma cidade satélite de rápido crescimento, passa por terras agrárias intercaladas com novos distritos industriais e centros comerciais.

A falha na segurança rodoviária tem muitas causas, segundo os especialistas.

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Trânsito parado em Nova Délhi, na Índia

Muitas vezes, a polícia rodoviária não é suficiente para aplicar as leis ou aceita subornos para não multar motoristas infratores; a punição a estes é branda, protelada ou inexistente; e a carteira de motorista pode ser conseguida através de propinas.

Kamal Nath, ministro dos transportes da Índia, disse em uma entrevista que a segurança no trânsito é uma prioridade do governo nacional.

O ministério está revendo o Ato de Veículo Automotores e, três anos depois que um comitê do governo recomendou que uma comissão de segurança rodoviária nacional fosse estabelecida, apresentou projetos de lei no Parlamento.

Nath, que foi ministro do comércio da Índia antes de passar ao Ministério dos Transportes, aumentou planos de expansão das estrada e está arrecadando US$ 45 milhões de investidores privados para ampliar a malha rodoviária do país.

A ampliação é parte integral da manter o crescimento da economia do país, de cerca de 9% ao ano, disse Nath.

Por Heather Timmons

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