Índia ignora sanções e explora novos negócios no Irã

Principal consumidor do petróleo iraniano, país espera aproveitar oportunidades criadas por sanções dos EUA e da União Europeia

The New York Times |

A Índia se mostrou um fator surpresa que pode atrapalhar os esforços do Ocidente para isolar o governo iraniano. O país anunciou que deve enviar uma grande delegação de comércio para o Irã dentro de algumas semanas para explorar as oportunidades criadas pelas sanções americanas e europeias , que estão prejudicando cada vez mais a economia.

O comunicado da delegação comercial coincidiu com novos relatos de que a Índia, uma importante consumidora do petróleo iraniano, tinha passado a China pela primeira vez como a principal consumidora do petróleo iraniano. Isso prejudica os esforços dos Estados Unidos em convencer outros países a não procurar o Irã como fonte para suas necessidades de energia, podendo ser alvo de punição sob a nova lei americana de sanções.

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AP
Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad faz pronunciamento perto da torre de Azadi para marcar os 33 anos da Revolução Islâmica (11/02)

O comunicado também aconteceu antes de uma visita à Índia de Herman Van Rompuy, o presidente da União Europeia, citado em uma entrevista ao The Times of India dizendo que pretendia pedir a ajuda do governo indiano para pressionar o Irã a desistir de seu programa nuclear.

Não ficou claro se Rompuy já sabia, na época da entrevista, que o secretário de Comércio da Índia, Rahul Khullar, estava prestes a anunciar um grande impulso econômico com o Irã, que poderia ajudar a neutralizar os efeitos das sanções que Rompuy tem ajudado a promover.

"Iremos montar uma missão que deve ir ao Irã no final do mês para promover nossas próprias exportações", disse Khullar a repórteres em Nova Délhi, segundo relatos de indianos e ocidentais sobre sua participação em uma entrevista coletiva. "Uma grande delegação visitará o país."

Khullar disse que a Índia está honrando as quatro rodadas de sanções da ONU destinadas a dissuadir o Irã de seu programa de enriquecimento de urânio. Essas sanções, disse ele aos repórteres, não se aplicam a "um vasto conjunto de produtos que a Índia pode exportar para o Irã".

Mesmo que os Estados Unidos e a União Europeia queiram evitar fazer negócios com o Irã, disse Khullar, “por que a Índia deve seguir o mesmo exemplo?”

As sanções americanas e europeias estão destinadas principalmente ao banco central do Irã e à indústria do petróleo. Mas elas começaram a provocar a escassez de alimentos, inflação e problemas de pagamento no Irã para uma variedade de outras mercadorias por impedir que o país faça contratos de seguro, transporte e financiamento para suas importações.

A atitude da Índia foi bem recebida pelo Irã, que nega as acusações ocidentais de que seus esforços de enriquecimento de urânio são uma maneira de esconder um programa de armas. O governo iraniano chamou as sanções de uma tentativa de intimidar o povo a abandonar o seu direito legítimo de possuir energia nuclear para fins pacíficos.

Por Rick Gladstone

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