Índia é abalada por caso de empregada doméstica de 13 anos

Condição precária que levou menina a pedir ajuda a vizinhos da casa onde trabalhava e foi trancada evidência abusos infantis no país

The New York Times |

Os gritos da menina eram frágeis e desesperados. Moradores do complexo habitacional suburbano olharam para cima e viram uma criança gritando por ajuda de uma varanda no andar acima. Ela tinha 13 anos e trabalhava como empregada doméstica para um casal que estava de férias na Tailândia. Eles a haviam deixado trancada dentro de seu apartamento.

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Depois que um bombeiro salvou a menina, ele descreveu uma vida semelhante à escravidão, segundo as autoridades.

AP
Crianças indianas preparam refeição em favela de Jammu, na Índia
Seu tio havia vendido a menina para uma agência de empregos, que a vendeu para o casal, ambos médicos. A menina não recebeu nada. Ela disse que o casal não a alimentava direito e a espancava se seu trabalho não correspondesse às expectativas. Ela contou que eles usavam câmeras de circuito fechado para ter certeza de que ela não comia além do permitido.

Abuso infantil

Na Índia, um país onde há mais crianças trabalhadoras do que em qualquer outro no mundo, o trabalho infantil e o tráfico são muitas vezes considerados sintomas da pobreza: famílias desesperadamente pobres vendem seus filhos para que trabalhem e alguns acabam como trabalhadores braçais ou prostitutas.

A lei indiana oferece garantias limitadas e poucas leis para proteger essas crianças, e as atitudes públicas são geralmente permissivas em uma sociedade onde até mesmo nos degraus mais baixos da classe média as famílias costumam ter pelo menos uma empregada que vive no local.

A Organização Internacional do Trabalho revelou que a Índia tem 12,6 milhões de trabalhadores com idades entre 5 e 14 anos, com cerca de 20% trabalhando como empregadas domésticas.

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Mala Bhandari, que dirige a Childline, central telefônica de ajuda para crianças trabalhadoras, disse que a urbanização da Índia, bem como o surgimento de famílias com duas rendas impulsionou a demanda por serviços domésticos.

A lei indiana considera menor qualquer pessoa com menos de 18 anos de idade. Mas a Lei de Justiça Juvenil de 2000 também cria uma brecha: crianças entre 14 e 18 estão autorizadas a trabalhar no máximo seis horas por dia em trabalhos que não representem perigo.

Crianças menores de 14 anos são proibidas de trabalhar como servos, uma definição que é amplamente condenada. Os empregadores são obrigados a oferecer educação diária e documentar as horas de trabalho das crianças, embora a maioria das famílias ignorem tais exigências.

Bhandari sustentou que o abuso não é uma norma, mas tabém não é raro. "O que acontece dentro das quatro paredes de uma casa, ninguém sabe."

*Por Jim Yardley

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