Índia aposta em trens femininos para evitar assédio

PALWAL, Índia - Enquanto o primeiro trem da manhã deslizava pelos trilhos, Chinu Sharma, uma funcionária de escritório, desfrutava a ausência de homens. Alguns deles beliscam e apertam as mulheres nos trens, ou gritam insultos e vaiam, ela disse. Sua amiga Vandana Rohile concordou e arregalou os olhos em uma falsa imitação. Muitas vezes eles simplesmente encaram, disse Rohile, de 27 anos.

The New York Times |

Por todo o trem, as mulheres contavam a mesma história: conforme milhões de mulheres passaram a integrar a mão-de-obra indiana nas últimas décadas, elas encontraram obstáculos diferentes em uma cultura tradicional e patriarcal, mas poucas são mais incômodas do que a simples tarefa de chegar ao trabalho.


Mulheres conversam em trem exclusivo para mulheres / NYT

Os problemas de escárnio e abusos são tão persistentes que nos últimos meses o governo decidiu simplesmente remover os homens dos trens.

Em um programa piloto, oito novos trens foram introduzidos exclusivamente para mulheres nas quatro maiores cidades da Índia: Nova Déli, Mumbai, Chennai e Calcutá.

Os trens são conhecidos como Ladies Specials (Especiais para Senhoras, em tradução livre) e em uma viagem recente de ida-e-volta na qual um repórter masculino teve permissão para subir a bordo, as senhoras que viajavam diariamente entre a cidade industrial de Palwal e Nova Déli pareciam muito contentes.

"É tão agradável aqui", disse a professora, Kiran Khasm que viaja diariamente de trem há 17 anos. Khas disse que os trens comuns estão cheios de vendedores de vegetais, batedores de carteiras, mendigos e muitos homens.

"Aqui neste trem", ela disse, como se descrevesse um milagre, "você pode subir a bordo em qualquer lugar e se sentar livremente."


Trens femininos são mais espaçosos / NYT

Durante anos, as mulheres que viajavam de trem ocupavam o mesmo vagão que os homens, até que a aglomeração e preocupações com sua segurança fizeram com que a via férrea passasse a reservar dois vagões por trem apenas para elas.

Mas com a superlotação, os homens arrombavam os vagões só para as mulheres e exigiam os assentos.

Mumbai começou a operar dois trens apenas para mulheres em 1992, mas o programa nunca foi ampliado. Então, com o aumento nas reclamações das passageiras, Mamata Banerjee, a nova ministra dos transportes, anunciou oito novos Ladies Specials.

"Isso mostra a maturidade do projeto e sua positividade", disse Mukesh Nigam, oficial do sistema de transporte ferroviário da cidade.

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