Improvável líder trabalhista chinês só queria ser da classe média

Jovem de 23 anos que iniciou greve na fábrica da Honda colaborou para onda de manifestações na China

The New York Times |

Tan Guocheng, 23 anos, não é um líder sindical autodenominado. Introvertido, ele cresceu entre arrozais e laranjais, longe das grandes cidades industriais da China.

Mas no mês passado, uma hora depois do início de seu turno na fábrica da Honda na cidade de Foshan, Tan apertou um botão de emergência que parou sua linha de produção.

"Vamos entrar em greve!", ele gritou.

Em poucos minutos, centenas de trabalhadores abandonaram os seus postos.

Colegas descreveram a liderança de Tan como um ato de coragem atípico. Tan disse que simplesmente queria um aumento salarial.

© AP
Funcionários da Honda fazem greve na China (07/06)
Independentemente disso, ele ajudou a dar início a uma onda de greves em fábricas da Honda e outros locais de trabalho na China, que continuam em andamento de maneira surpreendente e significativa para o país.

Apesar de Tan ter sido demitido pela Honda por "sabotagem" e voltado para sua aldeia, os trabalhadores em greve em outra fábrica da companhia a menos de 100 milhas de distância em Zhongshan marcharam pelas ruas na sexta-feira com uma nova exigência: o direito de formar um sindicato trabalhista independente.

Esse esforço sindical local parece ter sido quebrado, conforme a Honda em Zhongshan passou a substituir os grevistas por trabalhadores recém-contratados no domingo - embora tenha aumentado um pouco os salários e convidado os grevistas a voltarem aos seus postos.

A greve de duas semanas na fábrica de Tan forçou a Honda a fechar suas quatro montadoras na China e, eventualmente, oferecer a 1.900 trabalhadores em Foshan uma aumento salarial de 24% a 32%. Isso atingiu em cheio as expectativas de Tan.

Ao deixar sua casa no centro da China há quatro anos, aos 20 anos de idade, Tan tinha esperança de que trabalhar em uma montadora de uma companhia global como a Honda seria o seu caminho para um futuro na classe média.

Mas o salário era insuficiente, ele diz, e a inflação devastava o que ganhava. E em janeiro, quando a Honda fez a oferta de aumentar o seu salário de US$ 175 mensais em meros US$ 7, Tan, que planejava se casar em breve, ficou perturbado.

O dinheiro não seria suficiente para comprar uma casa ou educar uma criança.

"Eu não conseguia entender como eles poderiam nos dar tão pouco", ele disse. Então ele decidiu lutar contra aquilo. "Eu tive a ideia de entrarmos em greve", ele disse.

Mas não foi fácil recrutar colegas em conversações secretas dentro da fábrica durante os intervalos. Antes da data prevista para ele pedir demissão formalmente, a Honda o mandou embora no dia 22 de maio.

No dia 04 de junho, após intensas negociações envolvendo o governo local de Foshan e executivos japoneses, a Honda concordou com um grande aumento salarial, embora abaixo da demanda dos trabalhadores que buscavam quase dobrar os seus salários.

"Acho que podemos dizer que foi um sucesso", disse Tan. "Eu só liderei a greve para conseguir uma recompensa digna para os meus colegas".

Por David Barboza

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