Imigrantes ilegais que perderam parentes no 11/9 poderão permanecer nos EUA

NOVA YORK - Autoridades federais abriram na quinta-feira um caminho para legalizar temporariamente o status de imigrantes ilegais que perderam parentes no 11/9, um passo que os defensores dessas famílias qualificaram como definitivo para permitir que elas permaneçam permanentemente nos Estados Unidos.

The New York Times |

Os advogados dos imigrantes disseram que uma concessão da autoridade de Segurança Nacional ajudará a tirar os parentes das sombras. Eles também afirmam que a medida ajudará a desbloquear o processo político que tem atrasado projetos de ei no Congresso que concederiam status legal a esses imigrantes.

"Pela primeira vez há um programa para que essas viúvas e órfãos possam deixar a ilegalidade da falta de documentos para se tornarem presença legal nos EUA", disse Debra Brown Steinberg, advogada representante de diversos imigrantes ilegais. "Isso permitirá que eles assumam seu lugar junto à outras famílias do 11/9, mostrando que têm rostos e nomes".

A medida, que foi gerada em resposta a um pedido de ajuda de Steinberg às autoridades imigratórias na resolução do impasse legislativo, afeta mais de duas dezenas de parentes diretos de vítimas do 11/9 que vivem no limbo desde o ataque. As vítimas, mesmo que ilegais, constam na lista dos heróis nacionais. As famílias receberam pagamentos indenizatórios que variam entre US$875.000 e US$4.1 milhões.

Ainda assim eles viviam a incerteza e medo da deportação, afirma a advogada, e não podiam investir essa compensação por não possuírem número de Seguro Social e outros documentos de identificação. Alguns imigrantes ilegais deixaram de contar aos amigos e vizinhos que perderam alguém nos ataques, preocupados com a vulnerabilidade a roubos e extorsão.

Stewart A. Baker, assistente secretário do Departamento de Segurança Nacional, afirmou em carta a Steinberg que com o novo procedimento os imigrantes ilegais poderiam fornecer informações biográficas às autoridades sem revelar seus nomes, com garantia que essa informação não será usada para deportá-los.

Autoridades do departamento dizem que a informação será usada para determinar se os imigrantes podem receber uma permissão temporária para viver e trabalhar nos EUA. Essa permissão não será concedida à imigrantes com registros criminais, ligações com terrorismo e ordens formais de deportação, ele disse.

Steinberg disse acreditar que a maioria, se não todos, os parentes de imigrantes ilegais mortos no 11/9 poderão conseguir a permissão. Ela e outros advogados relutaram até agora em fornecer informações sobre seus clientes ao Congresso e autoridades imigratórias por medo dessa informação ser usada para rastreá-los.

No ano passado, dois membros do COngresso, Peter T. King e Carolyn Maloney, criaram um projeto de lei que concederia legalidade a esses imigrantes. Mas a medida foi contrariada por diversos republicanos, incluindo Dan Ludgren e Steve King, que disseram não ter informações suficiente sobre eles e que não queriam conceder status legal a criminosos e terroristas.

Em entrevista nesta quinta-feira, Baker disse que o novo procedimento permite que os imigrantes contem suas histórias e sejam considerados pelas autoridades imigratórias sem risco de deportação.

"Essas famílias compartilham uma experiência com o povo americano que é a mais significante da nossa história", disse Baker. "Sentimos que eles merecem uma oportunidade de defender seu caso de forma efetiva".

King disse que a oferta é "uma medida significativa". Ainda que se oponha a fornecer status legal a imigrantes em geral, ele disse que "essa é uma situação única e eu acredito que tenhamos que passar por isso".

De acordo com o fundo de compensação, 11 imigrantes ilegais morreram nos ataques de 11/9. Destes, oito tinham esposas e crianças que também são ilegais. Poucos imigrantes ilegais são parentes de imigrantes que trabalhavam legalmente quando foram mortos.

As famílias permanecem anonimas, mas Steinberg disse que falou com elas na quinta-feira. "Ouvir a alegria e o alívio em suas vozes foi algo glorioso", ela disse.

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