Marco se tornou grito de guerra para asiáticos na cidade que têm buscado mais representação política

Os asiáticos estão em alta em Nova York, onde antes eram minoria na mistura caleidoscópica de raças e etnias abrigadas na cidade.

Pela primeira vez, de acordo com números do censo, o número de asiáticos na cidade passa de 1 milhão – quase um para cada oito nova-iorquinos. Isso é mais do que a soma das populações asiáticas das cidades de São Francisco e Los Angeles.

Steven Choi, representantes dos imigrantes coreanos, em protesto em Nova York
The New York Times
Steven Choi, representantes dos imigrantes coreanos, em protesto em Nova York
Esse marco, por sua vez, tornou-se um grito de guerra para os asiáticos de Nova York, que têm lutado durante anos para ganhar mais representação política, apoio do governo e reconhecimento público.

"Nós somos 13% da população dessa cidade!", gritou Steven Choi, 35 anos, um organizador da comunidade asiática e filho de imigrantes coreanos, pelo microfone para uma multidão de ativistas que se reuniu recentemente diante da Câmara Municipal para protestar contra os cortes que ameaçavam os serviços sociais. "Somos mais de 1 milhão e não iremos embora!"

Organizações

Dezenas de grupos que há muito tempo operam de forma independente e às vezes em desacordo, começaram a se reunir em coligações pan-asiáticas nos últimos anos, principalmente conforme as gerações mais jovens e que chegaram recentemente têm percebido as vantagens da unificação.

Mas fazer isso acontecer não é fácil, porque a populações que se autodenominam asiáticas são extremamente diversificadas.

Os asiático-americanos em Nova York traçam suas raízes até dezenas de países e falam mais de 40 idiomas e dialetos. Certos grupos têm se saído muito melhor do que outros: a taxa de pobreza entre os filipinos, por exemplo, é um sexto aquela dos bengaleses, segundo dados de 2009 da Pesquisa Comunitária Americana.

Imigrantes mais velhos podem ter preconceitos remanescentes contra outras nacionalidades, enraizados em rivalidades históricas entre os seus países de origem. Algumas organizações, particularmente as chinesas, já bem estabelecidas que estiveram na vanguarda da luta pelos direitos dos imigrantes no século passado, podem hesitar em compartilhar suas difíceis conquistas.

Além disso, grupos sul-asiáticos muitas vezes se sentem deixados de lado ou ignorados por seus colegas mais estabelecidos do Leste da Ásia. Encontrar um terreno comum entre tantos círculos eleitorais é "uma tensão constante que a nossa coligação enfrenta", disse Choi, um dos líderes da Coalizão 12% e em Crescimento, um grupo de lobby que foi formado em 2008 e reúne mais de 45 organizações que são lideradas por asiáticos ou servem a população asiática. "É importante, como coalizão, que não deixemos que uma narrativa domine outra”.

*Por Kirk Semple

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.