Imigrante x imigrante: trabalhadores latinos se opõem a recém-chegados somalianos

GRAND ISLAND - Como muitos trabalhadores do matadouro local, Raul A. Garcia, americano de origem mexicana, observou com desconforto a chegada de centenas de imigrantes da Somália à cidade nos últimos anos, muitos dos quais substituem trabalhadores latinos levados após batidas da polícia que combate a imigração ilegal.

The New York Times |

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Garcia tem se preocupado com a exigência dos somalianos de pausas para as rezas que são obrigatórias para os muçulmanos devotos. As pausas, ele diz, seriam inconvenientes para todos.

"O latino é muito humilde", disse Garcia, que trabalha no local desde 1994. "Mas eles são arrogantes", ele disse sobre os trabalhadores somalianos. "Eles agem como se os Estados Unidos devem algo a eles".

Mais de 1,000 trabalhadores latinos, entre outros, protestaram da decisão da gerência do matadouro em setembro de tirar 15 minutos de seu trabalho (e de seu salário) para dar aos somalianos tempo para suas rezas.

A situação revelou tensões raciais e étnicas presentes num inesperado resultado do patrulhamento contra o trabalho de imigrantes ilegais.

A discórdia surgiu com a chegada dos somalianos, muitos dos quais foram contratados depois que o patrulhamento dizimou a força de trabalho latina. Os somalianos estão no país legalmente como refugiados políticos.

Em alguns destes locais, inclusive em Grand Island, a nova onda de trabalhadores imigrantes teve o efeito de unir outras populações étnicas contra os somalianos, além de divergir a hostilidade antes direcionada aos imigrantes latinos entre os moradores nativos.

Há ressentimento, desconforto e desconfiança em todos os cantos, afirmam alguns moradores: entre a comunidade branca e as diversas comunidades imigrantes; entre as comunidades imigrantes mais antigas, como os latinos, e as mais novas, principalmente os somalianos e sudaneses, outra comunidade de refugiados que cresceu nos últimos anos; e entre os somalianos, que são amplamente muçulmanos, e os sudaneses, que são cristãos.

"Eu admiro o esforço que fazem para seguir aquela religião, mas às vezes você tem que se adaptar ao local de trabalho", disse Fidencio Sandoval, trabalhador do matadouro que nasceu no México e se tornou cidadão americano. "Uma nova cultura chega com suas exigências e diz, 'Queremos isso'. Isso é novo para mim".

A prefeita Margaret Hornady demonstrou que tem dificuldades em se adaptar à presença dos somalianos. Ela disse que acha a presença de mulheres somalianas, muitas das quais usam roupas tradicionais, "assustadora".

"Sinto muito, mas depois de 11/9, isso assusta alguns de nós", ela disse.

- KIRK SEMPLE

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