Imigração pode determinar votos na Grã-Bretanha

Desconforto de imigrantes dos anos 60 com fluxo migratório de poloneses tende a beneficiar candidatos da oposição nas eleições

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A Mesquita Jamia Masjid Gihousia em Bury Park, bairro predominantemente paquistanês de Luton, Inglaterra
Quando diante da mesquita Jamiya, no distrito de Bury Park - uma região fortemente muçulmana da cidade inglesa de Luton -, Mohammed Qurban falou ansiosamente sobre o alto nível de imigração da Grã-Bretanha na terça-feira, refletiu uma poderosa tendência que pode levar à vitória dezenas de candidatos da oposição na eleição de quinta-feira.

"Acho que este país está ficando superpovoado, com gente demais vindo de todos os cantos, mas especialmente da Europa", disse Qurban, sob os olhares aprovadores de seus pares.

Principalmente, ele disse, os milhares de polacos que chegam a Luton e tomam os empregos de filhos e netos de uma geração anterior de imigrantes, como a dele mesmo, homens e mulheres que chegaram do Paquistão em uma das primeiras ondas imigratórias da Grã-Bretanha na década de 1960.

A conversa com Qurban, e outros muçulmanos em Luton, expõe uma mudança de significado possivelmente muito amplo. Tradicionalmente, os adversários da imigração eram britânicos nascidos no país, na maioria brancos, e seu alvo favorito eram os imigrantes negros e asiáticos, especialmente os muçulmanos.

Mas Qurban, corretor de imóveis de 56 anos, percebendo a ironia, tentou se diferenciar dos extremistas anti-imigrantes cuja ação chega a ser violenta.

"Esta é a minha cidade, este é o meu pão com manteiga", ele explicou. "Sou um cidadão que cumpre a lei, nunca fiz nada errado. Os polacos têm problemas em casa como nós temos no Paquistão, nenhum emprego nem dinheiro. Quero aceitá-los. Mas cabe ao governo pôr um limite máximo para eles."

Os polacos, evidentemente, não são imigrantes. Ainda que a Grã-Bretanha tenha permanecido fora da zona do euro, faz parte da União Europeia assim como a Polônia e está sujeita à sua legislação de trabalho, que garante a livre circulação de trabalhadores entre as nações que participam do bloco.

Com o início da crise financeira e a evaporação de milhões de postos de trabalho, esses imigrantes legais - que correspondem a 40% do fluxo na Grã-Bretanha - causaram tensões em toda a União Europeia. Os outros 60% são estrangeiros, na maioria imigrantes ilegais.

O elevado nível de imigração é sistematicamente classificado pelos eleitores como um dos problemas mais imediatos que o país enfrenta, depois que a recessão atingiu a economia, o serviço de saúde estadual e a criminalidade.

Mas, desde a década de 1950, quando imigrantes caribenhos deram ao país sua primeira experiência de um fluxo de imigração de grande escala, a questão tem o potencial de causar desastres eleitorais.

Nas décadas seguintes, quando os imigrantes começaram a chegar em grandes números da África, Ásia e Oriente Médio, qualquer político mais exigentes se arriscava a acusações de racismo e passava a alienar blocos eleitorais cada vez mais importantes.

Mas essa eleição tem sido diferente, com todos os três principais partidos políticos dizendo que algo deve ser feito para reduzir os fluxos imigratórios que aumentaram significativamente desde que o Partido  Trabalhista chegou ao poder, em 1997, trazendo cerca de dois milhões de imigrantes ao país.

Isso é suficiente para que pesquisadores do governo prevejam que a população da Grã-Bretanha, que já é um dos países mais superpovoados da Europa, pode no futuro próximo receber outros 10 milhões, chegando a 70 milhões de habitantes em até 20 anos, segundo o Instituto de Estatísticas Nacionais, uma agência do governo.

*Por John F. Burns

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