Igreja ortodoxa pede código de vestimenta para russas

Patriarca critica mulheres 'pintadas como palhaços' e sugere que roupas provocantes levam a casamentos curtos

The New York Times |

Uma autoridade de alto escalão da Igreja Ortodoxa Russa propôs na terça-feira a criação de um "código de vestimenta para toda a Rússia", recriminando mulheres que saem de casa "pintadas como palhaços" e "confundem as ruas com palcos para a prática do strip tease".

O arcebispo Vsevolod Chaplin irritou grupos de mulheres recentemente com seus comentários sobre a modéstia feminina.

Em uma mesa redonda sobre as relações interétnicas, em dezembro, ele disse que usar minissaia "pode provocar não apenas um homem do Cáucaso", região predominantemente muçulmana na fronteira sul da Rússia, "mas um homem russo também".

"Se além disso ela estiver bêbada, irá provocá-lo ainda mais", disse. "Se ela está ativamente pedindo contato e depois fica surpresa que este contato termine em um estupro, ela é ainda mais culpada”.

As feministas começaram uma série de protestos e petições contra Chaplin, que dirige o departamento de alcance social da igreja e é um colaborador próximo do patriarca Kirill I.

Na terça-feira, ele respondeu com uma carta dizendo que roupas provocantes levam a "casamentos de curta duração, que são imediatamente seguidos por divórcios que destroem as vidas de crianças, causam solidão e loucura, até que transformam a vida em uma catástrofe".

Ele argumentou que a roupa não é algo particular e que esperava que a Rússia em breve se transforme em um lugar onde as mulheres pouco vestidas e homens de roupas de ginástica não sejam admitidos em locais públicos. "Vocês acham que isso é uma utopia?", perguntou ele. "Bem, vocês em breve terão de se acostumar a isso".

Choque

Seus comentários soaram especialmente chocantes em Moscou, cujas mulheres atravessam um inverno ártico em saltos agulha e vestidos de coquetel. Os comentaristas responderam à ideia com choque e grandes doses de sarcasmo.

"Não é bom para uma mulher usar apenas um vestido. Há muito, isso é considerado indecente", escreveu Anton Orekh, comentarista da rádio Ekho Moscou. "Um mínimo de três vestidos usados ao mesmo tempo corresponderia melhor ao código de vestimenta de uma mulher russa bem-intencionada".

Lyudmila Alexeyeva, presidente do Grupo de Helsinki de Moscou, ativista de direitos humanos, classificou a proposta de "disparate". "A próxima coisa que dirão é que as mulheres não podem usar batom", reclamou.

A igreja foi cautelosa em seus comentários na terça-feira. Vladimir Vigilyansky, porta-voz do patriarca, disse que a proposta de um código de vestimenta não será veiculada em documentos da igreja. Segundo ele, os estilos de roupas são melhor determinados pelo "contrato social".

*Por Ellen Barry

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