Ignorados por governo, subúrbios franceses estão na mira dos EUA

Política iniciada após 11 de Setembro é parte de esforço para valorizar a imagem do governo americano nas comunidades muçulmanas

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Os moradores de Bondy, um pobre subúrbio multirracial de Paris dizem ter sido abandonados. Por 30 anos, segundo eles, as autoridades francesas têm ignorado bairros como Bonduy, tratando seus habitantes como delinquentes e ignorando o seu potencial.

Mas, segundo os moradores, essa não é a postura adotada pelo Departamento de Estado americano. "Esperamos pelo presidente da República francesa, por seus ministros", disse Gilbert Roger, prefeito de Bondy. "E recebemos o embaixador dos Estados Unidos".

A Embaixada dos Estados Unidos em Paris formou uma rede de parcerias com governos locais, grupos de defesa, empresários, estudantes e líderes culturais nos conturbados enclaves de imigrantes nos subúrbios das grandes cidades da França.

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Subúrbios têm sido considerados possíveis incubadoras do extremismo religioso na França, onde vivem de 5 milhões a 6 milhões de muçulmanos

Iniciada logo após os ataques do 11 de setembro de 2001 como parte de um esforço para valorizar a imagem dos Estados Unidos no seio das comunidades muçulmanas em todo o mundo, a sensibilização americana nesses bairros difíceis – geralmente chamados de "banlieues", ou subúrbios - tem crescido em dimensão e visibilidade desde a eleição de Barack Obama.

A França é lar de 5 milhões a 6 milhões de muçulmanos, a maior população muçulmana da Europa, e os  subúrbios têm sido considerados possíveis incubadoras para o extremismo religioso.

Mas o sentimento antiamericano, antes difundido nestes bairros, parece ter quase desaparecido desde a eleição de Barack Obama, que provou ser um poderoso símbolo de esperança nesses locais e uma poderosa ferramenta diplomática.

Muitos sugerem que a recepção calorosa aos americanos é uma medida da sensação de abandono dessas comunidades. Outros dizem que é a presença de Obama na Casa Branca. Seja qual for o caso, os Estados Unidos são agora mais populares nos subúrbios franceses do que em qualquer momento da história recente, dizem as autoridades locais e americanas.

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Moradores de Bondy, um subúrbio multirracial de Paris, dizem ter sido abandonados
'Inverdades'

Grande parte da ação da embaixada serve para dissipar as "inverdades" sobre os Estados Unidos, disse o embaixador Charles H. Rivkin, em entrevista, acrescentando: "É mais fácil odiar algo que você não entende", explicou.

Com um orçamento anual para assuntos públicos de cerca de US$ 3 milhões, a embaixada em Paris tem promovido uma série de projetos de renovação urbana, festivais de música e conferências. Desde a eleição de Obama, os americanos têm ajudado a organizar seminários para políticos minoritários, treinando-os na estratégia eleitoral, arrecadação de recursos e comunicação.

O Programa de Visita Internacional para Liderança, que envia de 20 a 30 empresários e políticos franceses promissores aos Estados Unidos por várias semanas a cada ano, passou a incluir mais participantes das minorias, principalmente muçulmanos. A embaixada começou um programa semelhante para adolescentes franceses.

A embaixada está "tentando contato com a próxima geração de líderes da França", disse Rivkin "Isso inclui os banlieues", concluiu.

*Por Scott Sayare

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