Idiomas inventados tomam conta de filmes e seriados americanos

Na tentativa de dar credibilidade a histórias como 'Jogo de Tronos', Hollywood impulsiona criação de línguas fictícias

The New York Times |

Na festa de casamento de seu melhor amigo na costa da Califórnia, David J. Peterson levantou-se para fazer um brinde aos recém-casados. Ele ergueu a taça de champagne e gritou "Hajas!". Os 50 convidados ergueram suas taças e gritaram, em uníssono, "Hajas!"

A palavra, que significa "seja forte" e é pronunciada "rá-djas", tem grande significado para Peterson. Ele a inventou, assim com outras 3.250 palavras que integram o idioma que criou para os Dothraki, da série de fantasia "Jogo de Tronos", da HBO.

Reprodução
Imagem de vídeo mostra cena legendada em inglês de "Jogo de Tronos", exibido pela HBO nos EUA

Algumas pessoas constroem modelos de estradas de ferro ou reencenam batalhas da Guerra Civil, mas Peterson, 30, que estudou linguística na Universidade da Califórnia, San Diego, é um "con-langer", ou uma pessoa que constrói novas linguagens.

Até recentemente, essa busca nascida de uma paixão por palavras e estruturas gramaticais existia em websites pouco visitados ou em teses de faculdade.

Hoje, o desejo de Hollywood de dar credibilidade a filmes de fantasia e ficção científica, séries de televisão e jogos de videogame está impulsionando a demanda por línguas construídas, com regras gramaticais, alfabetos escritos (hieróglifos são aceitáveis) e vocabulário básico suficiente para algumas conversas mais triviais.

"Os dias em que os estrangeiros murmuravam besteiras sem estrutura gramatical ficaram para trás", disse Paul R. Frommer, professor emérito de comunicação da Universidade do Sul da Califórnia, que criou a Na'vi, língua falada pelos habitantes azuis de Pandora, no filme "Avatar". A Disney recentemente contratou Frommer para desenvolver uma linguagem marciana chamada Barsoomian para "John Carter", um filme de ficção científica com estreia prevista para março nos EUA.

Entre as tentativas de criar línguas, muitas têm efeito político específico. Na década de 1870, um médico polonês inventou o Esperanto, que pretendia ser uma linguagem internacional simplificada que traria a paz mundial.

Suzette Haden Elgin criou a Laaden, uma linguagem mais adequada para expressar os pontos de vista das mulheres. A Laaden tem uma única palavra, "bala", que significa "estou irritada por uma razão, mas nada pode ser feito a respeito."

Mas nenhuma das centenas de línguas criadas por razões sociais atraiu seguidores tão fervorosos como aquelas criadas para filmes, séries e livros, diz Arika Okrent, autor de "Na Terra das Línguas Inventadas."

"Durante anos as pessoas têm tentado criar idiomas melhores e não conseguiram realizar nada tão bem quanto a atual era da linguagem voltada simplesmente ao entretenimento", disse Okrent.

Por Amy Chozick

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