Hotel no Arizona atrai turistas por ter hóspedes "mortos" há anos

Sussurros, assombrações e relatos da presença de 16 entidades espirituais fazem parte das histórias do Hotel Copper Queen

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Muitos hóspedes de hotéis se queixariam se fossem acordados aos cutucões durante a noite ou se suas coisas desaparecessem misteriosamente dos armários. Mas não os hóspedes do Hotel Copper Queen, um lugar rústico e antigo que é considerado o mais antigo do Arizona ainda em operação.

O Hotel Copper Queen, na cidade de Bisbee, é assombrado, ou pelo menos é o que afirmam os proprietários e inúmeros hóspedes ao longo dos anos, com histórias sobre vozes misteriosas, sons e cheiros estranhos, e até mesmo objetos flutuantes. Para muitos, uma noite tranquila e sem incidentes no Copper Queen, que foi inaugurado em 1902, é uma decepção terrível.

“Oh, oh!” exclamou uma mulher quando viramos uma esquina no corredor do quarto andar numa noite recente. Quando percebeu que tinha encontrado outros seres vivos, ela pareceu decepcionada. “Você já viu alguma coisa?”, perguntou.

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Hotel Copper Queen, na cidade de Bisbee, é o mais antigo em funcionamento no Arizona
A voz do recepcionista se torna um sussuro quando ele conta que ouviu uma voz feminina, certa noite, ao entrar no elevador entre o terceiro e quarto andar, apesar de ser o único lá dentro. E ele jurou que certa vez viu uma chave de quarto flutuando no ar.

Programa de TV

Ao seu lado estavam os diários fantasmas, onde hóspedes deixam relatos de seus encontros com espíritos moradores do hotel. As histórias são tão interessantes que algumas foram compiladas em um livro lançado neste mês. Adicionando credibilidade à reivindicação do hotel de que três fantasmas moram nas instalações, pelo menos para aqueles que acreditam em coisas paranormais, foi possível sua participação em um episódio de "Ghost Hunters", programa sobre caçadores de fantasmas.

Uma hóspede do Hotel Copper Queen, Tina Lavon, escreveu sobre como tinha tentado tirar uma foto no hotel, mas sua câmara alertava que não havia um cartão de memória. A parte assustadora é que, ela insiste, havia um cartão de memória.

Outros escreveram sobre ouvir sussurros, o controle remoto da televisão não funcionar ou a bateria de um telefone celular perder energia misteriosamente. Uma criança escreveu sobre perder seu bichinho de pelúcia apenas para vê-lo reaparecer misteriosamente depois.

Devan, de 9 anos de idade, ouviu uma respiração por cima do ombro quando estava lendo os diários fantasmas. Outros hóspedes disseram que moedas desapareceram da mesa de seu quarto, algo que segundo a legenda é obra de Billy, um fantasma jovem que morreu há muito tempo nas proximidades do rio San Pedro e, supostamente, agora comanda o Hotel Copper Queen.

Billy

“Southern Arizona Most Haunted” (Os Mais Assombrados do Sul do Arizona, em tradução livre), um livro sobre Bisbee e outras localidades supostamente assombradas na parte sul do Estado, conta como Billy foi visto pulando no sofá de couro do lobby.

“O Hotel Copper Queen é assombrado por mais de 16 entidades espirituais”, afirma a autora do livro, Renee Gardner, que foi nomeada pela Câmara de Comércio local como embaixadora oficial para os fantasmas e espíritos de Bisbee. Ela realiza passeios por pontos fantasmagóricos desta antiga cidade de mineração de cobre, bem como um passeio especial em um ataúde de segunda mão.

Todos os espíritos que supostamente vagam pelo Hotel Copper Queen, e alguns hóspedes fingindo ser fantasmas, têm como objetivo a travessura.

Uma hóspede chamada Roxana escreveu sobre um incidente fantasmagórico que ocorreu quando tomava banho. “Meu marido e minha filha saíram do quarto e eu entrei no chuveiro”, disse ela. “Quando eu estava no banho, ouvi a porta do banheiro ser sacudida. Quando meu marido e filha voltaram eu disse: ‘Muito engraçado’. Eles juraram que não tinham voltado para me assustar”.

Outra hóspede, Natasha, escreveu sobre algo que pode ou não ter acontecido quando ela e seu padrasto jantavam em uma noite. Ele tinha trancado a porta de seu quarto, o 401. Ela tinha visto. Mas quando voltaram, sua porta estava aberta.

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Relatos de assombrações fazem parte do imaginário que leva turistas a se hospedarem no hotel
Quartos tiveram ligações sem ninguém do outro lado da linha, quadros que se moveram na parede, um kit de barbear que caiu no chão do banheiro e torneiras abertas misteriosamente pelas costas dos hóspedes por seres invisíveis.

“Meu marido e eu acreditamos, mas somos céticos ao mesmo tempo”, escreveu uma mulher que ouviu sons estranhos no quarto 316 às 2h.

Nas noites de quinta-feira, peritos em fantasmas levam os hóspedes através do prédio em busca do travesso Billy, de uma ex-prostituta chamada Julia Lowell (que supostamente tirou a própria vida no hotel e agora presta atenção especial aos hóspedes do sexo masculino) e um misterioso homem de barba, cartola e capa preta, que cheira fumaça de charuto.

Sobrenatural?

Nem todos os hóspedes têm encontros fantasmagóricos. Em uma noite recente, o antigo elevador fazia alguns barulhos, mas pareciam mais mecânicos do que sobrenaturais. Do corredor do quarto andar, podia-se ouvir sons dos quartos dos hóspedes, embora eles parecessem ser da emissora CNN. Nada parecia ter se movido no quarto 404 da noite para a manhã seguinte.

Sim, para alguns hóspedes o Hotel Copper Queen não é nem um pouco assustador, oferecendo pouco mais do que uma boa refeição, uma bar animado e uma noite de sono ininterrupto.

“Absolutamente nada de fantasmagórico aconteceu conosco”, escreveu no livro de mensagens uma hóspede chamada Crystal. “Os únicos sons que ouvimos eram de pessoas barulhentas no andar de cima”.

*Por Marc Lacey

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