Hotéis de luxo estão sentindo os efeitos da crise na economia

Os negócios hoteleiros colidiram de frente com a crise na economia e o apertado mercado de crédito.

The New York Times |

As receitas dos hotéis estão despencando. Grandes novos projetos, planejados nos dias de fartura, ou estão inacabados ou não saíram do papel. E alguns donos de hotéis de luxo já estão enfrentando uma triste situação ¿ até quando eles podem cortar os preços para preencher os quartos sem que isso interfira na imagem luxuosa de seus hotéis?

Eu acho que ninguém havia percebido que a mudança aconteceria de forma tão rápida, disse Lisa Grossberg, gerente-geral do Buckingham Hotel em Manhattan. Nós vimos as pessoas tendo mais consciência dos preços, as renegociações dos contratos coorporativos ficando mais apertadas. Mas, então, no meio do mês de dezembro, as coisas simplesmente pararam.


Hotéis de preço médio, como o Aloft (foto), estão ganhando hóspedes / NYT

Números do Smith Travel Research, líder em pesquisas no setor hoteleiro, mostram como estes são tempos difíceis para todos os hotéis. Na semana entre os dias 11 e 17 de janeiro, a média de renovação por quarto ¿ a medida padrão para avaliar o desempenho dos hotéis ¿ caiu 16,4% em comparação ao mesmo período de 2008 nos Estados Unidos. A ocupação média caiu 12,9%, e a diária dos quartos caiu 4%.

Os dados para os hotéis de luxo são ainda mais espantosos. As taxas de ocupação caíram 24,4% até o fim da semana do dia 10 de janeiro em comparação com a primeira semana de janeiro de 2008, segundo a Smith Travel Research. A média das diárias caiu 8,9%.

Segmento de luxo sofre

Essas mesmas forças que atingiram os hotéis de luxo atingiram também outros segmentos do mercado de luxo ¿ desde lojas de departamento até jatos particulares. O setor de hotéis de luxo depende pesadamente do bom desempenho dos negócios de turismo de luxo, encontro de empresas e visitantes internacionais ¿ e todos esses registraram quedas.

Vamos ser honestos, todos estão com baixa ocupação, disse Jim Treadway, diretor do Liberty, um hotel luxuoso em Boston.

Mas gerentes de hotéis de todos os preços e categorias, exceto as mais baixas, geralmente não gostam de dar descontos, temerosos de que os clientes insistam em barganhar durante os bons tempos.

Mas agora, disse Treadway, há uma competição nos preços ¿ que é um eufemismo para os descontos ¿ e, claro, estamos relutantes.

Os hotéis de luxo estão particularmente preocupados com a perda de viagens de negócios, na medida em que as empresas estão apertando os gastos com viagens.

Alguns empresários que estavam autorizados a se hospedarem em hotéis cinco estrelas estão agora restritos aos quatro estrelas (que incluem redes como o Sheraton e o Hilton). Essas redes também estão diminuindo o valor da diária para atrair o público.

Estamos preocupados com os hotéis que cobravam US$ 270 e agora estão cobrando US$140, disse Treadway. Não queremos oferecer descontos que rebaixem nossa categoria, e acordar um dia dizendo Não somos mais um hotel de luxo.

Ainda assim, os hotéis de luxo dos EUA e pelo mundo estão quase todos oferecendo descontos para mascarar o fato de estarem diminuindo suas tarifas.

Coisas como Reserve duas noites e ganhe a terceira disse Treadway. De fato, há uma aritmética que garante um desconto, apesar de parecer que você está sendo beneficiado por uma estadia mais longa.

Alternativas

Hotéis de luxo estão também incluindo no preço do quarto serviços que cobravam à parte, como manobrista, internet e spa. Alguns estão ainda oferecendo almoço ou jantar de graça no restaurante do hotel.

Em cada variação de preço, os hotéis estão tentando cortar gastos sem danificar a reputação da marca. Hotéis de nível médio estão reduzindo o número de frutas frescas oferecidas no café da manhã. Hotéis de luxo estão procurando por amenidades nos banheiros.

Estamos fazendo várias coisas que realmente não têm impacto no cliente, mas cortam gastos, disse J.W. Marriott Jr., presidente do Marriot Internacional, empresa dona da marca Ritz-Calton e outras. Muitos de nós estão tirando as flores frescas da recepção e substituindo por plantas e outras coisas que não precisam ser trocadas todos os dias.

Assim como os hotéis já existentes, muitos projetos hoteleiros que estavam sendo financiados e desenvolvidos há alguns anos estão padecendo. O número de quartos de hotel em construção caiu 19,7% no fim de 2008, comparado com o fim de 2007, disse a Smith Travel Research. Nos EUA, mesmo projetos que estavam indo bem, como o complexo Echelon de US$4,8 bilhões em Las Vegas, estão agora ociosos, à espera de uma melhora na economia.

Este ano, a indústria hoteleira dos Estados Unidos espera gastar US$ 3,75 bilhões, uma queda de 30% em relação a 2008, disse Bjorn Hanson, professor associado do Centro Tisch de Gerenciamento de Hospitalidade, Turismo e Esportes da Universidade de Nova York.

Por JOE SHARKEY

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