Homem-bomba responsável por ataque à base da CIA no Afeganistão seria agente duplo

ISLAMABADE, Paquistão ¿ O homem-bomba que matou sete agentes da CIA e um espião da Jordânia na semana passada era um agente duplo que foi levado para a base no Afeganistão porque os americanos esperavam que pudesse entregar importantes membros da rede Al-Qaeda, de acordo com uma autoridade ocidental informada sobre o assunto.

The New York Times |

O homem-bomba foi recrutado pelo serviço de inteligência jordaniano e levado ao Afeganistão semanas antes para se infiltrar na Al-Qaeda local posando como um jihadista estrangeiro, disse a autoridade.

Mas em uma reviravolta mortal, o suposto informante amarrou explosivos ao próprio corpo e se explodiu durante uma reunião na Base de Operações Avançadas Chapman da CIA, na província sudeste de Khost, na quarta-feira passada.

O ataque foi um golpe significativo às operações da agência de espionagem contra militantes posicionados nas remotas montanhas do Afeganistão, eliminando uma equipe que usava um militante com credenciais impecáveis. O ataque também atrasou as esperanças de destruir a Al-Qaeda, e parece uma poderosa evidência da capacidade da rede de contra-atacar seus adversários americanos.

Além disso, também pode prejudicar as relações entre a CIA e o serviço de espionagem da Jordânia, que as autoridades dizem ter atestado a legitimidade do futuro informante. O serviço jordaniano, intitulado Diretório Geral de Inteligência, há muitos anos é um dos principais aliados da CIA no Oriente Médio.

Em uma entrevista pelo telefone, uma pessoa associada com o Taleban paquistanês identificou o homem-bomba como Humam Khalil Maomé, um médico jordaniano.

O homem-bomba conseguiu evitar os controles de segurança básicos e não foi revistado minuciosamente por causa de seu valor percebido como alguém que poderia conduzir as forças americanas a líderes importantes da Al-Qaeda, e porque o oficial de inteligência jordaniano o havia identificado como um potencialmente valioso informante, afirmou a autoridade ocidental.

Oficiais dos Estados Unidos, atuais e antigos, disseram na segunda-feira que, por causa da formação médica de Maomé, ele poderia ter sido recrutado para encontrar Ayman Al Zawahiri, um médico egípcio que é o segundo no comando da Al-Qaeda.

Oficiais de alto escalão da agência viajaram de Cabul a Khost para uma reunião com o informante, um sinal de que a CIA havia passado a confiar nele e estava ansiosa em saber o havia conseguido em suas operações no campo, de acordo um com ex-oficial com experiência no Afeganistão.

O ex-oficial disse que o fato dos militantes poderem realizar um ataque bem-sucedido usando um agente duplo que mostra sua força mesmo depois de uma série de graves ataques com mísseis realizada por aeronaves da CIA. "As operações com um agente duplo são realmente complexas", ele disse. "O fato deles conseguirem realizá-la mostra que não estão fugindo. Eles têm a habilidade de contra-atacar e pensar nessas coisas".

O agente jordaniano, Sharif Ali Bin Zeid, foi a oitava pessoa morta na explosão. A morte de Zeid foi reportada recentemente por oficiais jordanianos, mas eles não confirmaram especificamente onde ela havia ocorrido ou o que ele fazia no Afeganistão

Oficiais de inteligência jordanianos estavam profundamente envergonhados com os ataques porque eles haviam levado o informante aos americanos, disse uma autoridade do governo jordaniano informada sobre o assunto.

A autoridade disse que os jordanianos tinham tal boa reputação com os agentes de inteligência americanos que o informante não foi revistado antes de entrar na base.

Por Richard A. Oppel Jr., Mark Mazzetti e Souad Mekhennet

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