Homem atacado na Indonésia recebe sentença mais dura que agressores

Ataque de fevereiro contra Deden Sudjana, membro da seita muçulmana de minoria Ahmadiyya, causou indignação dentro e fora do país

The New York Times |

Um homem indonésio que sobreviveu ao ataque de uma multidão de muçulmanos linha dura foi sentenciado a seis meses de prisão, provocando a indignação de grupos de defesa dos direitos humanos por ter recebido uma sentença mais dura do que alguns de seus agressores.

Deden Sudjana, membro da Ahmadiyya, uma seita muçulmana de minoria que muitos conservadores consideram herética, foi condenado por um tribunal distrital na província de Banten sob acusação de ter provocado o ataque, que ocorreu em fevereiro. Os juízes afirmaram que ele havia recusado ordens da polícia para deixar o local, além de ter ferido um de seus agressores. Eles rejeitaram uma acusação de incitamento apresentada pelos promotores, que pediam uma sentença de nove meses.

AP
Deden Sudjana durante julgamento em tribunal de Serang, na Indonésia (15/8)
O confronto, no remoto distrito de Cikeusik, causou indignação internacional depois de um vídeo bastante chocante aparecer na internet. Ele mostrava a polícia oferecendo pouca resistência aos mais de 1 mil moradores da cidade que seguiram para uma casa onde 21 ahmadis estavam hospedados, matando três deles e, em seguida, espancando seus corpos cobertos de lama.

Tolerância

O ataque e o julgamento que se seguiu foram amplamente denunciados como evidência do declínio da tolerância religiosa na Indonésia, onde a polícia, oficiais do governo e o sistema de Justiça muitas vezes parecem relutantes em castigar - e, em alguns casos, são acusados participar - as ações de islâmicos linha dura, que se envolvem em ataques cada vez mais frequentes a igrejas cristãs e propriedades pertencentes a pessoas da seita Ahmadiyya.

No mês passado, o mesmo tribunal condenou 12 moradores, incluindo um jovem de 17 anos que foi visto no vídeo esmagando o crânio de um homem com uma pedra, de três a seis meses de prisão pelo seu envolvimento no ataque. Os promotores não pediram acusações de assassinato ou homicídio culposo.

Na sessão judicial de segunda-feira, os juízes decidiram que Sudjana teve responsabilidade pelo confronto porque ele tinha ajudado a estocar armas na casa dos membros ahmadis e resistido aos apelos da polícia para que abandonasse a aldeia, onde os clérigos e os moradores haviam pedido sua partida.

Firdaus Mubarik, porta-voz da seita Ahmadiyya, disse que a punição leve em casos de violência sectária apenas incentiva mais ataques contra os ahmadis, que muitos muçulmanos ortodoxos acreditam violar o princípio central de que Maomé é o grande profeta.

Procuradores em Serang, onde o julgamento aconteceu, rejeitaram a acusação de que eles tenham ficado do lado dos linha dura.
A defesa não disse se vai recorrer do veredicto.

*Por Aubrey Belford

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