Hispânicos fogem do Alabama por medo de rígida lei imigratória

Medida anula contratos com ilegais, exige cidadania de alunos e permite que polícia peça documentos durante batidas de trânsito

The New York Times |

A fuga começou na noite de 28 de setembro, quando as famílias mais assustadas colocaram tudo em seus carros assim que ouviram a notícia. Elas deixaram para trás casas móveis, vendidas totalmente mobiliadas por US$ 1 mil ou menos. Ou simplesmente fecharam tudo e, em um gesto de otimismo, deixaram as chaves com um vizinho.

The New York Times
Crianças jogam futebol no bairro de Albertville, Alabama (3/10/2011)
O êxodo de imigrantes hispânicos começou poucas horas depois de Sharon Lovelace Blackburn, juíza federal em Birmingham, decidir manter a maioria das disposições da rigorosa lei imigratória estadual do Alabama.

Blackburn confirmou partes da lei que permitem que a polícia estadual e local peça documentos de imigração durante batidas de trânsito de rotina, tornando a maioria dos contratos com imigrantes ilegais inexequível e exigindo que as escolas garantam o status imigratório de seus alunos.

A medida, que o governador chamou de "a lei imigratória mais forte deste país", entrou em vigor imediatamente, embora a decisão de Blackburn esteja sendo contestada pelo Departamento de Justiça e por uma coalizão de grupos de direitos civis.

Nos dias seguintes, os superintendentes das escolas tranquilizaram os pais de que nada havia mudado para as crianças já matriculadas. Departamentos de polícia cautelosos em todo o Estado disseram  aguardar instruções sobre como cumprir a lei.

Para muitos imigrantes, no entanto, a espera parecia muito perigosa.

Na tarde de segunda-feira, 123 alunos se retiraram das escolas da pequena cidade de Albertiville. Muitos mais simplesmente faltaram. Em todo o Estado, 1.988 estudantes hispânicos estiveram ausentes em 30 de setembro, cerca de 5% de toda a população hispânica do sistema escolar.

Mercearias e restaurantes estão visivelmente menos ocupados, o que em alguns casos acontece porque alguns funcionários não apareceram para trabalhar. Em alguns bairros as ruas estão estranhamente calmas.

O que a nova lei imigratória significa em larga escala – se ela entregará empregos para os cidadãos e protegerá os contribuintes, como prometido, ou se significará um desastre econômico como temem os seus adversários – se tornará mais claro em um lugar como Albertville.

Os críticos da lei, especialmente agricultores, empreiteiros e construtores de casa, dizem que a medida já é devastadora, fazendo colheitas apodrecerem nos campos e criando uma escassez crítica de mão de obra . Eles dizem que mesmo trabalhadores hispânicos totalmente documentados estão partindo, uma avaliação que parece ser confirmada por entrevistas feitas no local.

Defensores da lei reconhecem que ela pode ser prejudicial no curto prazo, mas dizem que se tornará eficaz ao longo do tempo.

"Levará algum tempo para a força de trabalho local se desenvolver novamente", disse o senador estadual Arthur Orr, "mas os trabalhadores de fora não deveriam chegar e tomar o lugar (dos americanos) toda vez, com custos menores que os tiram da disputa".

*Por Campbell Robertson

    Leia tudo sobre: euaimigraçãoalabamahispânicoslatinos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG