Hispânicos desenvolvem mal de Alzheimer mais cedo nos EUA

FILADÉLFIA - Antônio Vásquez tinha apenas 60 anos quando apresentou os primeiros sintomas do mal de Alzheimer.

The New York Times |

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Ele perdeu seu emprego numa padaria do bairro de Queens, em Nova York, porque passou a queimar biscoitos de chocolate continuamente por esquecer que eles estavam no forno. Depois disso ele se perdeu a caminho de entrevistas de emprego, andando em círculos por seu bairro.

Teresa Mojica, da Filadélfia, tinha 59 anos quando desenvolveu o mal de Alzheimer, que fez com que ela se tornasse tão briguenta que chegou a bater em seu marido.

Ida J. Lawrence tinha 57 anos quando começou a colocar as coisas em lugares errados e a cometer erros tolos em seu emprego numa clínica dentária em Boston.

Além de serem jovens pacientes com Alzheimer (a maioria dos americanos desenvolve a doença apenas depois dos 65 anos, mas ela é mais comum dos 70 anos aos 80) os três são hispânicos, um grupo que preocupa cada vez mais os médicos do mal de Alzheimer, e não apenas por ser a minoria que cresce mais rapidamente no país.

Estudos sugerem que muitos hispânicos podem ter mais propensão ao desenvolvimento de demência do que outros grupos, e um número significativo parece estar desenvolvendo o mal de Alzheimer mais cedo.
Pesquisas indicam que os latinos, que frequentam menos o consultório médico por causa de barreiras financeiras ou de linguagem, geralmente confundem os sintomas de demência com o envelhecimento normal, atrasando o diagnóstico.

"Essa é a ponta do iceberg de um enorme desafio para a saúde pública", disse Yanira L. Cruz, presidente do Conselho Hispânico Nacional para o Envelhecimento. "Nós realmente precisamos pesquisar mais esta população para entender porque desenvolvemos essas condições muito mais cedo".

Explicação não é genética

Não se trata dos hispânicos serem geneticamente mais predispostos ao mal de Alzheimer, dizem os especialistas, que afirmam que a diversidade de etnias que forma os hispânicos ou latinos torna uma explicação genética algo improvável.

Ao invés disso, os especialistas afirmam que diversos fatores, muitos dos quais estão ligados a baixa renda e marginalização cultural, podem colocar os hispânicos sob maior risco de demência, inclusive os índices mais altos de diabetes, obesidade, doenças do coração, derrames e hipertensão.

A Associação de Alzheimer afirma que cerca de 200 mil latinos nos Estados Unidos têm a doença, mas que até 2050, com base em informações do Censo, o número pode chegar a 1,3 milhões. (O estudo prevê que pacientes com Alzheimer na população geral chegarão a 16 milhões no mesmo período, de 5 milhões agora.)

"Nos preocupamos que a população latina possa ter um risco maior de desenvolver a doença do que outras culturas", disse Maria Carrillo, diretora da associação.

Por PAM BELLUCK

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