Hillary Clinton quer reparar laços entre EUA e América Latina

Depois de tensões diplomáticas com países como Bolívia, Venezuela e Equador, secretária se preocupa com legado do governo e influência chinesa na região

The New York Times |

A secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, realizou um jantar privado com, pelo menos, seis ex-presidentes latino-americanos na noite de quarta-feira. O evento faz parte de uma campanha silenciosa para reparar as relações com uma região que se queixa de ter sido ignorada pelos formuladores da política externa americana.

Tensões diplomáticas deixaram os Estados Unidos sem embaixadores na Bolívia, Venezuela, Equador e México. Acordos de livre comércio há muito desejados com Panamá e Colômbia – dois dos mais próximos aliados dos Estados Unidos na região – permanecem estagnados por lutas políticas internas, enquanto a China passou à frente dos EUA para se tornar o mais importante parceiro comercial do Brasil.

AP
Segundo assessores, Hillary Clinton se volta para a América Latina devido à crença de que anos de negligência resultaram na perda de oportunidades na região (16/5/2011)
Embora o jantar de Hillary tenha sido preparado ao longo das últimas semanas, os organizadores disseram que ele coincidiu com a sua crença de que anos de negligência resultaram na perda de oportunidades na região.

Ele também coincide, segundo analistas, com o início de uma campanha eleitoral nos EUA que deve depender em alguma parte do voto hispânico.

Hillary fez pelo menos dois discursos sobre a América Latina nas últimas semanas, incluindo um na segunda-feira perante um grupo de líderes mexicanos-americanos politicamente ativos.

E duas semanas atrás ela aceitou – alguns dizem que incentivou – a renúncia de seu representante-chefe para a América Latina, Arturo Valenzuela. A decisão inflamou as análises dos especialistas sobre expectativas criadas com a eleição do presidente Barack Obama de estreitar os laços entre EUA e os países da região e por que o seu governo não conseguiu cumprir essa meta.

Legado

Ted Piccone, vice-diretor do Brookings Institution, que ajudou o Departamento de Estado a organizar o jantar de quarta-feira para os seis ex-presidentes latino-americanos, disse que Hillary Clinton começou a "pensar sobre o tipo de legado que ela irá deixar”. Ele disse que ela havia reconhecido que "os EUA poderiam fazer melhor" e manifestou o desejo de "aumentar as perspectivas".

As perspectivas entre os vizinhos dos Estados Unidos não é de todo sombria, dizem os analistas. Clinton viajou para a América Latina mais do que qualquer de seus antecessores recentes. Obama reuniu-se com sete presidentes latino-americanos desde fevereiro e fez três viagens à região.

Mas conforme o mundo fica menor, menos crédito é dado por quilômetros percorridos. "Falta de vitalidade" foi a expressão usada por vários líderes da região para descrever o relacionamento entre os países.

"Ninguém pode negar a importância que a China está conseguindo ter cada vez mais", disse Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia. "Eles estão investindo na América Latina. Estão muito envolvidos na Colômbia porque temos o que eles precisam, e para nós isso é música para nossos ouvidos”.

*Por Ginger Thompson e Simon Romero

    Leia tudo sobre: hillary clintoneuaamérica latinadiplomacia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG