Hillary Clinton: a emissária de Obama no Congresso

Expectativa de secretária de Estado americana é expandir cada vez mais seu papel como lobista no Capitólio

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Quando a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton saiu de uma sala dourada do Capitólio na quarta-feira, após um café da manhã com parlamentares, ela se disse contente por estar de volta a um ambiente familiar.

Mas a ocasião não era nada festiva. Hillary estava em uma missão para salvar uma das poucas vitórias de política externa do presidente Barack Obama: o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) com a Rússia, repentinamente comprometido pela recusa de um único republicano em permitir a votação do pacto no Senado este ano.

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Na quinta-feira, Hillary se reuniu com Biden, o senador John Kerry (E) e o republicano Richard Lugar
Este é um papel que Hillary espera representar com frequência nos próximos meses, o de representante da Casa Branca em um Congresso mais hostil e disposto a desafiar ou mesmo bloquear as propostas do governo Obama em política externa, seja o controle de armas, a paz no Oriente Médio, a guerra no Afeganistão ou a tentativa de engajar Cuba.

Experiência

Com oito anos de experiência no Senado, metade em minoria, e a reputação de conseguir falar com os republicanos, Clinton está bem equipada para ser a emissária de Obama no Congresso, afirmam oficiais do governo.

Mas o golpe contra o chamado tratado novo Start – apesar de duas dezenas de reuniões e telefonemas de Hillary – mostra que suas habilidades podem não ser suficientes nesse ambiente político combativo.

Hillary disse a líderes do Senado e da Câmara na quarta-feira que o governo está decidido a obter a aprovação do novo Start, apesar do anúncio surpresa feito na terça-feira pelo senador Jon Kyl, do Arizona, responsável pela questão do lado republicano, de que não conseguia prever uma votação na última sessão deste ano. Ela disse que planeja manter contato com Kyl nos próximos dias.

Persuadir uma Câmara controlada por republicanos a gastar mais no desenvolvimento não vai ser fácil, reconheceu Hillary. "Não há dúvida de que, apesar dos melhores esforços tanto da minha parte quanto da parte de Bob (Robert) Gates (secretário de Defesa), as pessoas estão muito mais dispostas a seguir adiante com os gastos de defesa", ela disse, lembrando que Gates também havia ligado para o Departamento de Estado para conseguir mais verba.

Tentar salvar o novo Start vai consumir grande parte do tempo da secretária de Estado. Na quinta-feira, ela e vice-presidente Joe Biden se debruçaram sobre o tratado, estiveram com o senador John Kerry, de Massachusetts, e presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, e com o senador Dick Lugar, republicano de Indiana que integra o comitê, além de diversos antigos secretários de Estado e de Defesa. Todos eles apoiam o pacto.

*Por Mark Landler

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