Havaianos não se abalam com ameaças norte-coreanas

HONOLULU ¿ O Havaí viveu por muito tempo sob a ameaça de destruição, seja por tsunami, vulcões ou invasões estrangeiras. Agora, a administração de Obama diz que a Coreia do Norte pode lançar um míssil balístico na direção do Estado ¿ possivelmente por volta de 4 de julho, de acordo com notícias da imprensa japonesa ¿ levando o exército americano a aumentar a defesa no local.

The New York Times |

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Míssil submarino Polaris em
parque perto de Pearl Harbor
Os interceptadores de mísseis estão a postos, disse o Departamento de Defesa. Há poucos dias, os havaianos assistiram o radar parecido com uma torre gigante, conhecido como bola de golfe, ser direcionado da base onde normalmente fica ancorado para o mar, acrescentou.

Mas se residentes como Gerald Aikau, que moraram a vida inteira no local, estão em estado de alerta, isso seria porque alguém lhe disse que seu polvo, pescado nas águas com um arpão e as mãos, cozinhou demais.

O que você vai fazer?, disse Aikau, 34, pintor comercial, enquanto grelhava orgulhosamente sua presa pescada na praia. Você terá que morrer alguma hora, seja com uma onda, um míssil ou se um amigo te derrubar e você bater a cabeça.

Vulnerabilidade, e certo fatalismo sobre o assunto, são parte da vida fabricada no arquipélago, a 4 mil quilômetros do continente e, como muitos residentes parecem ter memorizado desde que a administração de Obama alertou na semana passada, a 7.200 quilômetros da Coreia do Norte.

As pessoas se sentem confortávei com a presença militar pesada fornecida por diversas bases no local, mas também imaginam se isso torna o Estado um alvo ainda mais provável.

Em uma entrevista nesta segunda-feira no programa "Early Show" da CBS, o presidente Barack Obama, que nasceu e passou boa parte de sua juventude no Havaí, declarou: "nosso exército está totalmente preparado para qualquer contingência que envolva a Coreia do Norte".

O secretário da Defesa Robert M. Gates anunciou na última quinta, que o exército desenvolveu um interceptador terrestre e um radar marítimo para ajudar a desviar qualquer míssil de longo alcance da Coreia do Norte. Ligações para a governadora republicana Linda Lingle foram conduzidas pelo major general Robert G. F. Lee, diretor do departamento de defesa do Estado, que sugeriu que a ameaça seria mais um alerta por parte da Coreia do Norte. Ele questinou se os mísseis teriam capacidade tecnológica para ir tão longe, mas também ponderou que o Estado está pronto para uma ação hostil.

Nossas bases militares estão preparadas para nos proteger, disse Lee, responsável defesa civil. Nós, como todos os Estados, estamos preparados para enfrentar desde desastres naturais até terrorismo.

Ele revela ainda que as sirenes para desastres do Estado estão funcionando e os residentes, como sempre, são avisados para manter um suprimento de três dias de comida, água, remédios e outros bens essenciais.

Sozinhos aqui, nós temos que estar um pouco mais preparados, caso a ajuda não chegue do continente tão rápido, disse.

Claro que o espectro de Pearl Harbor ainda continua proeminente aqui, assim como as manobras de gato e rato próximo à costa durante a Guerra Fria, que incluem a perda misteriosa de um míssil balístico submarino a cerca de mil quilômetros a noroeste de Oahu, em 1968.

Somos os primeiros a serem atacados a partir da Ásia, disse o deputado democrata do Havaí Joseph M. Souki, 76, que ainda se lembra da onda de ansiedade que varreu sua vizinhança em Maui, quando Pearl Harbor foi bombardeado. Não é como se estivéssemos em Iowa.

Ainda assim, ele admite, é mais do que provável que nada vá acontecer. O Havaí é como um peão no jogo de xadres, acrescentou.

O Estado dificilmente pode se permitir a deixar ocorrer qualquer coisa próxima a uma calamidade.

A recessão foi culpada por quase 11% da queda no número de visitantes no Estado no ano passado em comparação com o ano anterior. A taxa ajustada de desemprego sazonal em maio chegou a 7,4%, mais do que os 6,9% de abril e a mais alta em três décadas.

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Misioki Tauiliili e sua família em volta a uma
churrasqueira em uma cidade costeira em Honolulu

Os turistas que vem continuam fazendo o de sempre, tomando aulas de surfe, passeando pela Praia de Waikiki e visitando o Memorial do USS Arizona, cujo parque inclui uma exibição do antigo míssil submarino Polaris.

Mande pra eles um desses pequenos, sugeriu Clifton Wannaker, 45, um contador de Dakota do Sul, quando ouviu sobre a ameaça norte-coreana. Ele bateu no casco do míssil para mostrar o tamanho.

Parado na margem da praia, olhando para o Memorial do Arizona, Steve Brecheen, 54, farmacêutico da Cidade de Oklahoma, parecia um pouco mais nervoso.

A Coreia do Norte parece o governo mais instável no que diz respeito a uma ameaça aos EUA, disse Brecheen.

Ele gesticulou para o memorial, que fica perto dos restantes do navio afundado pelos japoneses no ataque a Pearl Harbor.

Em 1941, algumas dessas pessoas não pensavam que os japoneses eram uma ameaça extrema, e eles mudaram de impressão rapidamente, disse.

Mas entre os havaianos, o ceticismo está misturado com aborrecimento e até mesmo raiva por seu Estado, ao menos hipoteticamente, ser um território de testes.

Eu acho que eles seriam estúpidos ao fazer esse teste, disse Misioki Tauliili, 39, um motorista de caminhão de entrega, na plácida cena de uma cidade costeira próxima a Waikiki. Os EUA deveriam ir lá e dar um susto neles.

Com isso, ele quis dizer que os EUA podiam lançar alguns de seus foguetes na direção da Coreia do Norte, para testá-los.

Mark N. Brown, 49, um artista que pintava ali perto, foi menos belicoso. Ele disse que ficou estimulado com os passos que o exército tomou e continua preocupado com que um ato de agressão da Coreia do Norte leve a uma guerra.

Mas, com um sorriso amargo, ele acrescentou que a ilha vizinha, muito menos populosa, mas muito mais próxima da Coreia do Norte, provavelmente seria atingida.

Ele atingiria Kauai, disse. Estamos em Oahu.

Mele Conor, 55, uma havaiana que morou a vida toda no local e fazia compras com visitantes do continente em uma loja de roupas em Waikiki, riu das ameaças.

Depois da Coreia do Norte, haverá outro, disse ela. Eles sabem que Obama é daqui, então eles querem algo. Todo mundo quer algo de nossas lindas e pequenas ilhas.


Por RANDAL C. ARCHIBOLD


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