Havaí limita solicitações sobre nascimento de Obama

Paranoicos atrapalham agências ao pedir repetidamente provas de que presidente é americano; emails formam pilhas de mais de 30 cm

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Pilha de requisições enviadas por e-mail pedindo o certificado de nascimento do presidente dos EUA, Barack Obama, no Departamento de Saúde em Honolulu, Havaí
Os teóricos da conspiração que se agarram à falsa crença de que o presidente Barack Obama nasceu fora dos Estados Unidos (e, por isso, não poderia ser presidente do país) escandalizam muitos democratas e embaraçam muitos republicanos. Mas, para um grupo de funcionários públicos do Havaí que trabalham em um prédio diante do Capitólio, eles representam outra coisa: dor de cabeça e perda de tempo.

Os teóricos, conhecido como "birthers" (palavra derivada de birth, ou nascimento), têm inundado a Secretaria Estadual de Saúde local com tantos pedidos de informações sobre o nascimento do presidente no Havaí que a governadora Linda Lingle, uma republicana, assinou uma lei esta semana permitindo que agências do Estado ignorem solicitações de pessoas já atendidas no último ano.

Para os funcionários da Secretaria de Saúde, que têm sido inundados com tantas solicitações pelo registro de nascimento do presidente que as impressões de emails recebidos desde março formam pilhas de mais de 30 centímetros, a lei demorou para chegar. Cada email precisa ser respondido e muitas solicitações têm de obter aprovação de advogados do Estado.

"A questão se tornou realmente um fardo", disse Janice Okubo, porta-voz do departamento, que afirmou que lidar com as centenas de pedidos tomava grande parte do tempo quando o departamento tentava lidar com a epidemia da gripe suína. Muitos pedidos, disse, vinham de um mesmo grupo de pessoas.

Pela lei havaiana, os registros de nascimento podem ser liberados apenas a pessoas com uma "relação direta e com real interesse" no documento - uma pessoa nascida no Estado, digamos, ou alguns familiares ou seus herdeiros. Portanto, quando os questionamentos sobre o nascimento de Obama foram primeiramente divulgados durante a eleição presidencial de 2008, seu comitê divulgou na internet uma cópia de seu "certificado de nascimento"; o documento certifica que Barack Hussein Obama nasceu em Honolulu no dia 4 de agosto de 1961, às 19h24.

Quando os questionamentos prosseguiram, a diretora de saúde do Estado, Chiyome Fukino, anunciou que havia visto o registro original, afirmando que o documento atesta que Obama "nasceu no Havaí e é, portanto, um cidadão americano natural".

Quando as perguntas persistiram, o departamento criou uma página em seu site "Perguntas Frequentes Sobre o Registro de Nascimento do Presidente Barack Hussein Obama". Mas isso não aliviou as dúvidas dos céticos. Algumas das mensagens de email são vulgares, outras hostis. Funcionários da Secretaria de Saúde se viram difamados em blogs.

O senador Will Espero, democrata que tem uma foto de Obama e do vice-presidente Joe Biden diante de uma bandeira do Havaí em seu gabinete, disse estar surpreso com a insistência das dúvidas sobre o nascimento do presidente. Ele observou que, em 1961, jornais impressos de Honolulu publicavam avisos de nascimento, incluindo o de Obama.

"A não ser que alguém tenha estabelecido uma grande conspiração que remonte há mais de 40 anos e envolva jornais e os hospitais, não acho que exista nenhuma dúvida", disse Espero.

Ele apresentou originalmente um projeto de lei que permitiria que o Estado divulgasse certificados de nascimento, mas se deparou com questões de privacidade. Então o Departamento de Saúde pediu ajuda. Assim ele apresentou um projeto de lei que lhes permite ignorar solicitações "duplicadas" que foram respondidas no ano passado. Objecções foram feitas de que tal lei poderia dar ao governo espaço para recusar pedidos legítimos, então, segundo Espero, a lei final foi reformulada para lidar com essa questão.

"Infelizmente, não acho que isso acabará com a controvérsia", disse Espero. "Mas, em relação ao nosso próprio Departamento Estadual de Saúde e sua equipe e às horas que são gastas na questão, possivelmente haverá algum alívio para que trabalhem em outras coisas, além de apenas lidar com esse problema dos 'birthers'."

*Por Michael Cooper

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