Hamas abandona foguetes e parte para guerra cultural

GAZA, Faixa de Gaza - Sete meses depois que Israel realizou uma feroz ofensiva militar durante três semanas nesta região, com o objetivo de interromper o disparo de foguetes de comunidades do sul, o Hamas suspendeu o uso de projéteis e passou a se concentrar em conseguir apoio em casa e no exterior através de iniciativas culturais e relações públicas.

New York Times |

O objetivo é construir o que os líderes chamam de uma "cultura de resistência", tópico de uma recente conferência de dois dias em Gaza. Há pouco tempo, foi organizado um jogo, a estreia de um filme e de uma série de televisão, uma exposição de arte e a publicação de livro de poemas, a maioria com patrocínio do Estado e com foco no sofrimento dos palestinos em Gaza. Há planos para um concurso para a criação de um documentário.

"A resistência armada ainda é importante e legítima, mas nós temos uma nova ênfase na resistência cultural", disse Ayman Taha, líder do Hamas. "A situação atual exigia o abandono dos foguetes. Depois da guerra, os militantes precisavam de um descanso e as pessoas precisavam de um descanso."

Taha e outros dizem que o exército substituiu comandantes de campo e se reestruturou ao aprender lições da última guerra. A decisão de suspender o uso de foguetes Qassam de alcance limitado que durante anos foram disparados contra Israel, geralmente dezenas de vezes ao dia, foi em parte resultado da pressão popular. Cada vez mais, as pessoas daqui questionam o valor dos foguetes, não porque eles atingem civis mas porque eles são vistos como relativamente ineficazes.

Por quanto tempo o Hamas irá interromper os disparos e se conseguirá obter projéteis de longo alcance (os quais diz procurar) permaneça incerto. Mas a mudança política é evidente. Em junho, apenas dois foguetes foram disparados de Gaza, de acordo com o exército israelense, uma das mais baixas somas mensais desde que o começo dos ataques em 2002.

Neste senso tático, a guerra foi uma vitória para Israel e uma perda para o Hamas. Mas na opinião pública, o Hamas se saiu melhor. Seus líderes notaram a condenação internacional de Israel por alegações de uso desproporcional da força, uma percepção que eles esperam continuar usando em sua vantagem. Suspender o disparo de foguetes também pode servir para isso.

"Nós não somos terroristas mas combatentes de resistência e queremos explicar nossa realidade para o mundo externo", afirmou Osama Alisawi, ministro da Cultura, durante uma pausa da conferência de dois dias. "Nós queremos que os escritores e intelectuais do mundo venham ver como as pessoas estão sofrendo diariamente."

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