Haley Barbour: um herói republicano nas eleições de 2010

Se governador do Mississippi não foi o maior vencedor do partido neste ano, certamente emergiu como um dos nomes para 2012

The New York Times |

AP
Barbour pode decidir se candidatar à presidência em 2012 (31/10/2010)
Em uma temporada na qual os eleitores se revoltaram contra Washington e os políticos estabelecidos de ambos os partidos, você não esperaria que um dos principais beneficiários das eleições fosse um ex-lobista e presidente do Partido Republicano, que já foi co-proprietário de um restaurante em Washington chamado Caucus Room.

E ainda assim, se Haley Barbour, governador do Mississippi e presidente cessante da Associação dos Governadores Republicanos, não foi o maior vencedor do partido neste ano eleitoral, então certamente ele emergiu como um dos líderes mais formidáveis de olho na corrida presidencial de 2012.

O poder político de Barbour estava em plena exibição esta semana no Hilton Hotel Bayside de San Diego, onde os governadores republicanos se reuniram pela primeira vez desde as eleições. Ele caminhava como um popular prefeito de cidade pequena pelos saguões do hotel, sempre atraindo um grupo de apoiadores de empresas, agentes políticos e jornalistas. Em sessões públicas e conversas privadas, os seus companheiros governadores esbanjaram elogios sobre ele.

"O governador Barbour foi um líder que não perdeu tempo e foi direto ao assunto ao expor que, se estamos em busca de sucesso em 2012, teremos de eleger não apenas republicanos, mas reformistas", disse Nikki Haley, governador eleito da Carolina do Sul.

Dentro do partido, acredita-se que Barbour realizou sua campanha mais eficaz este ano. Os republicanos acabaram conquistando um total de seis cadeiras de governadores dos democratas (e ainda aguardam os resultados de uma recontagem no Estado de Minnesota), inclusive em Estados que são geralmente cruciais nas eleições presidenciais.

Um dos painéis de discussão na quarta-feira, por exemplo, apresentou os governadores republicanos recém-eleitos da Pensilvânia, Ohio e Novo México. Os republicanos também foram eleitos em Iowa, Michigan e Wisconsin, Estados anteriormente nas mãos dos democratas.

Talvez mais importante para o futuro de Barbour seja o seguinte: todos esses novos governadores assumem o cargo em dívida com ele, de uma forma ou de outra. Por sua própria contagem (e por acreditar que eles contaram cada centavo), a Associação de Governadores Republicanos gastou mais de US$ 100 milhões em disputas neste ciclo eleitoral sob orientação de Barbour, mais de US$ 5 milhões cada em oito Estados.

Barbour forjou laços pessoais com muitos dos candidatos, que frequentemente pediam seus conselhos durante a campanha. Eles lembraram de seu sólido desempenho após o furacão Katrina em contraste com a imagem de má gestão republicana em Washington.

"Ninguém mais agiu como Haley durante o Katrina", disse Nick Ayers, diretor-executivo da associação dos governadores. "Se você quer saber por que eles agiram, é por causa disso".

Tudo isso importa muito se Barbour finalmente decidir se candidatar à presidência. Ele pediu a alguns colegas governadores que adiem assumir compromissos na disputa de 2012 até que ele tome uma decisão em algum momento no início do ano que vem. E ele tem discretamente mobilizado oposição a Michael Steele, presidente nacional do partido, na esperança de instalar em seu lugar alguém mais tático e experiente na arrecadação de fundos em 2012.

Governadores têm uma habilidade ímpar para arrecadar dinheiro em seus Estados para os candidatos que decidam apoiar e eles têm organizações políticas prontas que podem ser postas à disposição de um possível candidato. Ao atuar como um bloco, os governadores têm uma força poderosa na escolha e eleição de presidentes republicanos, como foi o caso de George W. Bush em 2000.

Claro, Barbour não era o único governador presente na conferência desta semana que poderia obter a lealdade de seus colegas. Tim Pawlenty, de Minnesota, que não foi de todo tímido a respeito de sua intenção de concorrer em 2012, também fez campanha entre seus companheiros governadores este ano e foi apresentado como uma espécie de estadista sênior em alguns eventos nesta quarta-feira. E Mitch Daniels, de Indiana, amigo próximo de Barbour, chegou quinta-feira na cidade e atraiu bastante atenção a si mesmo.

Você poderia pensar que até mesmo alguns dos governadores que gostam de Barbour poderiam se concentrar em suas deficiências como candidato. Ele é, afinal de contas, um privilegiado que, com seu rosto quadrado e nariz bulboso parece mais um conselheiro político dos anos 1950 do que um presidente. E é difícil imaginar o que poderia ser pior no clima político de hoje do que ser marcado como um "lobista de Washington", a menos que talvez você seja conhecido como um serial killer ou um gerente de fundos de investimento.

Se Barbour decidir não concorrer, ele pode se tornar "o próximo Jim Baker". Em outras palavras, ele poderia usar suas relações para arrecadar barris de dinheiro para outro candidato, como James A. Baker fez para o primeiro presidente George Bush, de olho em voltar a Washington como chefe de gabinete da Casa Branca ou secretário do que bem quiser.

De qualquer maneira, há uma boa chance de que o homem no meio da ação em San Diego esta semana estará no centro das atenções de novo em 2012, rodeado pelos governadores que ajudou a eleger.

*Por Matt Bai

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