Hábeis em desarmar bombas, iraquianas sofrem com falta de salário

Integrantes deixam grupo Filhas do Iraque, responsável por frustrar mulheres-bomba, após US$ 250 mensais deixarem de ser pagos

Ther New York Times |

As mulheres responsáveis por frustrar mulheres-bomba no Iraque passam seus dias em postos de segurança apertados e lobbies de escritórios do governo, passando as mãos sobre os corpos vestidos de preto de outras mulheres.

As autoridades iraquianas afirmam que as revistas têm ajudado a diminuir os ataques suicidas por mulheres, antes uma tática comum nesta ainda perigosa cidade. Segundo as autoridades, as equipes conhecidas como Filhas do Iraque desempenham um papel crucial em um país onde as divisões rígidas entre os gêneros torna estranho e muitas vezes impensável que policiais do sexo masculino revistem mulheres e meninas em busca de indicadores da presença de uma arma ou de um cinto de explosivos.

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Integrantes do Filhas do Iraque em quartel general da província de Diyala, no Iraque
Mas as mulheres dizem que não recebem por esse trabalho há quase um ano, desde que o governo iraquiano assumiu o controle do programa que antes era de responsabilidade dos militares americanos, que ajudaram a criar e financiar o grupo em 2008.

"Eles continuam prometendo que vão nos pagar no próximo mês, no próximo mês", disse Jasim Hind, que se juntou às Filhas do Iraque depois que seu marido perdeu o emprego. "O que nos mantém aqui são as suas promessas".

Algumas das 300 mulheres das Filhas do Iraque deixaram o grupo depois que sua remuneração mensal de US$ 250 parou de ser paga. Aquelas que permaneceram, a grande maioria, estão deslizando mais profundamente na pobreza que o programa se destina a melhorar. Muitas são viúvas da guerra ou chefes de família.

Na província de Diyala, no nordeste do país, antes o epicentro dos ataques suicidas, as líderes do grupo estão se esforçando para encontrar dinheiro para pagar contas de energia elétrica e aluguel de seu quartel general.

Wijdan Adil, que ajudou a fundar o grupo, disse que as autoridades iraquianas haviam encorajado as mulheres a continuar trabalhando por uma questão de honra, em nome do Iraque e de seus maridos mortos, mesmo que algumas se afundem em dívidas e fiquem desiludidas com o governo. "Se desistimos das Filhas do Iraque faltará segurança em Diyala", disse Adil. "Seremos um alvo fácil para a Al-Qaeda, pois eles sabem muito sobre como funciona o sistema de segurança".

Desculpas

Um porta-voz do primeiro-ministro Nouri al-Maliki alegou "razões técnicas" para o lapso de pagamentos, mas disse que o governo se comprometeu a financiar o grupo e integrá-lo a um ramo dos serviços de segurança. Oficiais de segurança iraquianos disseram que as revistas desempenham um papel crucial na contenção de mulheres-bomba.

Em 2008, houve 36 ataques do tipo. O número despencou para quatro em 2009 e apenas um em 2010 – que na verdade era um homem vestido de mulher, de acordo com os militares americanos.

Não foram relatados ataques suicidas neste ano. A estaística coincide com uma queda geral na violência durante os últimos anos e grande parte da redução dos ataques suicidas do sexo feminino pode ser atribuída à ação dos militares americanos e iraquianos contra grupos militantes.

Mas conforme meses se passaram sem salários, as mulheres Filhas do Iraque dizem que estão lutando para sobreviver. "Nós entramos em dívidas, muitas dívidas", disse Abdullah Zahara, 34 anos, que trabalha na segurança do Ministério da Juventude. "Estamos apenas comprando o necessário para sobreviver".

*Por Jack Healy e Yasir Ghazi

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