Há dúvidas sobre as conquistas de Israel em Gaza

CIDADE DE GAZA ¿ O Parlamento construído aqui foi reduzido a cascalhos. O departamento de engenharia de cinco andares da Universidade Islâmica é uma pilha de concreto retorcido. Postos policiais, mesquitas e centenas de lares foram destruídos.

The New York Times |

Mas agora que a batalha acabou ¿ ou teve uma pausa, depois que o Hamas concordou no domingo passado com um cessar-fogo de uma semana com Israel ¿ ainda não está claro o que já foi conquistado. As três semanas de guerra pelo poder enfraqueceram o Hamas como esperava Israel, ou simplesmente acentuaram o sofrimento humano?

Israel sabia que poderia não destruir cada foguete ou matar cada militante do Hamas. Seu principal desejo era o retrocesso, afirma Israel, e fazer com que o Hamas perdesse a vontade de continuar a bombardear as cidades israelenses. Esse objetivo foi alcançado?

Autoridades israelenses disseram no domingo em relatórios resumidos ao Gabinete que mesmo que as instituições do Hamas tenham sido danificadas, seus militantes deverão continuar disparando foguetes apenas para dizer que estão lá. O chefe da inteligência militar, Amos Yadlin, afirmou que mesmo o Hamas precisa avaliar o quando ele foi atingido.


Israel contabiliza os ganhos com a ofensiva em Gaza / AP

O que está claro é que, apesar das vagas esperanças israelenses de que o Hamas tenha sido completamente removido, isso não aconteceu. Grande parte da força de trabalho do grupo permanece, em parte porque decidiram lutar a distância quando possível apesar da fúria do avanço israelense e dos bombardeios.

A cautela acontece porque o Hamas quer continuar a controlar Gaza, sem voltar ao seu status prévio de simples movimento de resistência, disseram autoridades israelenses. Assim, uma ofensiva que cause sofrimento nas pessoas pressiona o Hamas.

O Hamas é a organização dominante em Gaza, disse uma autoridade israelense semana passada e que pediu anonimato. Eles são o regime e estão muito conectados ao povo. Eles não querem perder essa conexão com as pessoas.

A teoria israelense do que tentou se fazer aqui está resumida em uma frase em hebraico ouvida em Israel e entre os militares nas semanas passadas: baal habayit hishtageya ou o chefe perdeu. A frase evoca a imagem de um louco que não pode ser controlado.

Essa frase significa que se os nossos civis são atacados por você, nós não iremos responder nas mesmas proporções, mas iremos utilizar todos os meios que temos disponíveis para causar em você tal estrago que o fará pensar duas vezes no futuro, disse Giora Eiland, ex-conselheira da segurança nacional.

É uma raiva calculada. A frase vem de dos negócios e se refere a uma decisão de um comerciante que decide cortar os preços tão drasticamente que parece loucura aos consumidores mesmo que ele saiba que na verdade tomou uma atitude muito sagaz.

Vítimas

Os palestinos em Gaza receberam a mensagem no primeiro dia quando aviões de guerra de Israel atacaram vários alvos simultaneamente no meio da manhã de sábado.

Cerca de 200 pessoas morreram instantaneamente, assustando o Hamas e toda a Faixa de Gaza, especialmente porque os ataques anteriores haviam sido mais contidos.

Quando o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniya, apareceu, do seu esconderijo, na rede de TV do grupo na última segunda-feira, ele se referiu a guerra em curso como el harb el majnouna, ou a guerra louca.

A maioria, claro, sente que um abuso como esse cria uma grande raiva de Israel.

Se você quer fazer a paz com os palestinos, eles estão cansados de bombas, zumbidos e aviões, disse Mohammad Abu Muhaisin, 35, morador do sul da cidade de Rafah e afiliado do Fatah, o rival do Hamas que controla a Cisjordânia e foi expulso de Gaza em julho de 2007. Mas um rapaz cujos filhos acabaram de ser assassinados não quer a paz. Ele quer a guerra.


Cidade de Gaza foi destruída pelos bombardeios israelenses / Reuters

Há, porém, indicações limitadas de que as pessoas em Gaza sentiram tanta dor com essa guerra que querem agora frear o Hamas.

Hamila Dardouna, 37, moradora do norte da cidade de Jabaliya, cuja casa foi destruída por um bombardeio israelense, disse que tanto o Hamas quanto o Fatah são culpados - por causa da rivalidade entre eles - e nós somos as vítimas

Ela adicionou, eu nunca votei no Hamas. Eles não estão preparados para proteger as pessoas, e se eles vão nos colocar nessa situação, porque eles estão no poder? Se eu achasse que eles poderiam libertar Jerusalém, eu seria paciente. Mas ao contrário, eles nos trazem isso.

Por ETHAN BRONNER

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