Guerras no Iraque e Afeganistão já custaram US$ 1 trilhão

Equipamentos de alta tecnologia elevam custo dos dois conflitos, que ficam atrás apenas da Segunda Guerra Mundial

The New York Times |

Como todas as outras coisas, entrar em guerra é muito mais caro da que costumava ser.

Os conflitos no Iraque e no Afeganistão custaram cerca de US$ 1 trilhão aos americanos, perdendo apenas para os US$ 4 trilhões da Segunda Guerra Mundial (após ajuste pela inflação), quando os Estados Unidos colocaram 16 milhões de homens e mulheres em uniformes e combateram em três continentes.

O choque é a primeira reação inevitável às últimas estatísticas sobre os custos de todas as grandes guerras dos Estados Unidos desde a Revolução Americana, compiladas pelo Serviço de Pesquisas do Congresso e divulgadas no mês passado.

Estes números prometem intensificar as pressões políticas e econômicas para cortar o orçamento do Pentágono. No entanto, a tecnologia do século 21 é o motivo óbvio pelo qual as duas guerras relativamente pequenas (embora longas), em sociedades em desenvolvimento como o Iraque e o Afeganistão, são tão caras.

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Soldados americanos durante operação em Helmand, no Afeganistão (13/02/2010)

Como Stephen Daggett, especialista em política de defesa e orçamentos, escreve no relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso, na Guerra da Revolução "o armamento mais sofisticado foi uma fragata de 36 canhões, que dificilmente é comparável a um destróier moderno de US$ 3.5 bilhões".

Uma segunda análise dos números revela outra história. Em 2008, o ano de pico nos gastos com a guerra no Iraque e no Afeganistão, os custos representaram apenas 1,2% do produto interno bruto dos Estados Unidos. Durante o ano de pico nos gastos com a Segunda Guerra Mundial, 1945, as despesas chegaram a quase 36% do PIB.

O motivo é o grande crescimento, e crédito aparentemente sem limites, da economia dos Estados Unidos nos últimos 65 anos, em comparação com o sacrifício e a unidade necessários para conseguir US$ 4 milhões em uma economia muito menor para lutar na guerra anterior. Para alguns historiadores, a diferença é preocupante.

"O Exército está em guerra, mas o país não está", disse David M. Kennedy, historiador da Universidade de Stanford. "Conseguimos criar e proteger forças armadas que podem engajar em uma guerra muito, muito letal, sem que a sociedade pela qual luta se sacrifique". O resultado, segundo ele, é "um perigo moral para a liderança política que recorra à força sabendo que a sociedade civil não será profundamente afetada".

Uma consequência disso é que os impostos não foram aumentados para pagar pelas guerras no Iraque e Afeganistão - a primeira vez que isso aconteceu em uma guerra americana desde a Guerra da Revolução, quando não havia ainda um país sobre o qual impô-las. Certo ou errado, isso alienou ainda mais os civis americanos das duas guerras do outro lado do mundo.

Antes dos ataques do 11 de setembro de 2001, "os americanos eram convocados pelos seus líderes para pagar impostos mais altos durante a guerra e, reclamando ou não, eles faziam isso", disse Robert D. Hormats, subsecretário de Estado para assuntos econômicos, de energia e agricultura e autor de "The Price of Liberty: Paying for America’s Wars" (O Preço da Liberdade: Pagando pelas Guerras da América, em tradução livre).

Em termos de custos por soldado, as guerras em curso parecem ser as mais caras desde sempre, de acordo com Todd Harrison, pesquisador sênior de estudos de orçamento de defesa do Centro de Avaliação Estratégica e Orçamentária. Trabalhando independentemente do Pentágono e do estudo do Congresso, e utilizando cálculos com base no número de soldados comprometidos com o atual comportamento real de guerra a qualquer momento, ele estima que o custo anual é hoje de US$1,1 milhões por homem ou mulher em uniforme no Afeganistão versus US$ 67 mil por ano, ajustados, para cada soldado ativo na Segunda Guerra Mundial e US$ 132 mil no Vietnã.

Embora a tecnologia seja o fator de condução, juntamente com a despesa de logística de equipamentos que se deslocam sobre o terreno traiçoeiro do Afeganistão, os custos por soldado também subiram por causa do preço da manutenção de uma melhor formação e maiores salários. "Nós já não pegamos qualquer um na rua e o enviamos para a guerra como fazíamos no passado", disse Harrison.

Um último relato é encontrado nestes números: um cálculo rápido mostra que os Estados Unidos estiveram em guerra durante 47 dos seus 230 anos, ou 20% da sua história. Dito de outra forma, os americanos estiveram em guerra durante um em cada cinco anos.

"Você sabe, é uma surpresa para mim que este coeficiente seja tão alto", disse Daggett, que tem se concentrado no custo e não na duração das guerras. "Você geralmente acredita que a guerra não é o estado normal [de um país]."

Por Elisabeth Bumiller

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