Guerra no Paquistão tem novo fronte: a ajuda aos refugiados

QASIM PULA ¿ Instituições de caridade islâmicas e os Estados Unidos estão competindo pela aliança dos mais de dois milhões de refugiados que deixaram a região de Swat e outras partes do Paquistão por causa do Taleban ¿ por enquanto, os islâmicos estão na frente.

The New York Times |

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Refugiados ouvem Mehmood ul-Hassan, diretor da
instituição de caridade antiamericana, Al-Khidma

Apesar dos Estados Unidos serem os maiores contribuidores dos esforços humanitários da ONU, as autoridades paquistanesas se recusam a permitir que oficiais americanos ou aviões do governo entreguem ajuda nos campos de refugiados. Os paquistaneses não querem ser associados a seus impopulares aliados.

Enquanto isso, na ausência de ajuda eficaz do próprio governo, instituições de caridade de islâmicas de linha dura estão usando a crise de refugiados para impulsionar sua agenda anti-Ocidente e colocar a opinião pública ainda mais contra os Estados Unidos.

Na semana passada, uma multidão de homens, líderes de lares que fugiram de Swat, se reuniram aqui nesta vila no noroeste do Paquistão para receber ajuda para suas desesperadas famílias. Mas antes que pudessem conseguir sequer uma lata de óleo, o diretor da instituição de caridade anti-Ocidente aproveitou a oportunidade para encorajar os homens à jihad.

"As organizações ocidentais gastaram milhões e bilhões planejando a destruição do sistema familiar muçulmano", disse o diretor Mehmood ul-Hassan, que representa a Al Khidmat, uma poderosa instituição de caridade pertencente ao forte partido político anti-americano Jamaat-e-Islami.

As tentativas do ocidente fracassaram, ele disse, mas os paquistaneses devem mostram sua força ao se unir à luta contra os infiéis.

A insistência das autoridades para que os americanos permaneçam quase invisíveis ressalta a pressão existente sobre os elos entre Estados Unidos e Paquistão, mesmo conforme a cooperação melhora a luta contra o Taleban e o apoio público à guerra cresce no Paquistão.

Ainda assim, grupos islâmicos e jihadistas continuam a operar abertamente.

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Refugiados paquistaneses próximos a Swabi carregam
suprimentos distribuídos pela Al-Khidmat

"Por causa da falta de agências internacionais, há um vácuo que é preenchido por atores islâmicos e mais do que isso, jihadistas", disse Kristele Younes, do Refugees International, um grupo de Washington especializado em questões de refugiados.

Por outro lado, uma grande quantidade de ajuda americana consegue chegar ao país, mas sem o rótulo americano, e as autoridades paquistanesas insistem que sejam entregues de forma sútil.

O tenente general Nadeem Ahmad, líder do grupo de gerenciamento de disastres do Paquistão, disse que comunicou aos oficiais americanos que haveria uma reação "extremamente negativa" caso os americanos fossem vistos distribuindo ajuda, principalmente se houver uma aeronave dos Estados Unidos envolvida.

"Eu disse que eles não podem voar em Chinooks, de jeito nenhum", disse Ahmad, se referindo aos helicópteros americanos. Os Estados Unidos, ele disse, são vistos como "parte do problema".



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