Guerra e família ficam para trás quando jovens afegãos buscam nova vida na Europa

PARIS - No final da fila da sopa do Exército da Salvação em Paris, um afável menino afegão contava recentemente a história de como chegou à Europa sozinho.

The New York Times |

O menino, que disse ter 15 anos mas parecia mais jovem, recontou como passou dois meses trabalhando 11 horas por dia em uma fábrica de roupas que explora os empregados em Istambul.

Depois ele foi contrabandeado para a Grécia, onde foi forçado a trabalhar em uma fazenda de batatas e cebolas perto de Agros durante nove meses, finalmente fugindo na parte de trás de um caminhão. Ele chegou a Paris de trem, depois de quase um ano na estrada.

"Eu quero ir para a escola", ele disse em inglês. "Eu gostaria, se pudesse (apesar disso soar muito a se pedir), de ser engenheiro da computação".

Milhares de meninos afegãos solitários estão atravessando a Europa, uma tendência que aumentou nos últimos dois anos conforme as condições para refugiados afegãos se tornam mais difíceis em países como Irã e Paquistão.

Os meninos representam um desafio para países europeus, muitos dos quais enviaram tropas para lutar no Afeganistão mas cujo público questiona os motivos da guerra.

Na Itália, 24 adolescentes afegãos foram encontrados dormindo em um esgoto de Roma nesta primavera e no ano passado dois adolescentes morreram em portos italianos.

Na Grécia, que diz estar sobrecarregada por pedidos de asilo político de muitos países, não há nenhum sistema de adoção para menores estrangeiros; apenas 300 podem ser alojados em todo o país, dizem os oficiais.

E em Paris este ano, os afegãos pela primeira vez excederam em número os africanos subsaarianos como maior grupo de menores desacompanhados que pedem admissão em serviços de proteção aos menores, disse Charlotte Aveline, conselheira sênior de proteção à criança da Prefeitura local.

"Alguns chegam muito batidos, muito cansados, mas quando são bem tratados por uma semana se tornam adolescentes de novo", disse Jean-Michel do centro Exiles10, uma organização de cidadãos que trabalham com migrantes principalmente afegãos que se reúnem ao redor da Praça Villemin, perto da Gare de l'Est.

Blanche Tax, oficial de política sênior do Alto Comissariado da ONU para Refugiados em Bruxelas, disse que no ano passado 3,090 menores afegãos pediram asilo na Áustria, Grã-Bretanha, Dinamarca, Noruega, Suécia e Alemanha (países da União europeia onde seus números aumentaram nitidamente) mais do que o dobro dos 1,489 pedidos nesses países em 2007.

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