Guatemala restaurará legado de líder derrubado com ajuda dos EUA

Jacobo Arbenz foi derrubado em 1954 por golpe militar apoiado pela CIA, que o via como ameaça comunista na região

The New York Times |

Depois que o presidente Jacobo Arbenz foi derrubado por um golpe apoiado pela agência central de inteligência americana, a CIA, em 1954, o governo da Guatemala inverteu suas políticas e o marcou como um comunista, chegando a quase apagar a sua breve presidência da história.

Quase seis décadas depois, uma democrática Guatemala prometeu restaurar o seu legado e tratá-lo como um estadista. Em um acordo assinado com os descendentes de Arbenz neste mês, o governo prometeu rever o currículo escolar e conceder a Arbenz o tratamento dispensado aos heróis no país.

AP
Ex- presidente da Guatemala Jacobo Arbenz em viagem com a família para a Suíça, em 1955, um ano após o golpe militar que o tirou do poder
O governo irá batizar uma estrada e uma ala do museu nacional em homenagem ao presidente deposto, preparar uma biografia dele, publicar o livro de memórias de sua viúva e montar uma exposição sobre ele e seu legado no Museu Histórico Nacional. Os correios chegarão a emitir uma série de selos em sua homenagem.

"Quando você diz o seu nome, a minha geração e as gerações mais velhas automaticamente escolhem lados", disse Erick Arbenz, neto de Jacobo Arbenz, um anestesiologista em Boston. "A geração mais jovem não sabe quem ele foi ou como participou da história. Parte disso é responsabilidade da cultura do silêncio criada pela CIA e seus responsáveis".

Histórico

Depois de ganhar a presidência em uma eleição em 1950, Arbenz começou um esforço para modernizar a economia, incluindo um programa de redistribuição de terras que irritou as corporações dos Estados Unidos e o governo americano.

O então presidente americano Dwight Eisenhower, convencido de que Arbenz dava espaço aos comunistas nas Américas, autorizou um golpe que derrubou o presidente da Guatemala em nove dias.

O presidente deposto morreu em 1971, aos 57 anos, como um homem quebrado, no México, deixando sua viúva, filhos e, depois, netos para lutar nos tribunais da Guatemala por sua reputação e seus bens confiscados.

Em 1999, a família se apresentou diante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington. A Comissão aceitou a queixa em 2006, levando a cinco anos de negociações interruptas.

O acordo assinado na última quinta-feira inclui uma indenização cujo valor não foi divulgado. O governo da Guatemala também irá realizar um ato público para admitir o papel do Estado no golpe e enviará uma carta pedindo desculpas à família.

O presidente Álvaro Colom, da Guatemala, o primeiro presidente de esquerda desde que Arbenz ocupou o cargo, deu a organizações de direitos humanos mais liberdade para exigir uma prestação de contas dos crimes cometidos durante os 36 anos de brutal guerra civil, que começou alguns anos após o golpe.

*Por Malkin Elizabeth

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