Guardas de comboio afegãos ficam sob investigação

Há suspeitas de que empresas de segurança privada pagam propina a militantes para forjar ataques e aumentar o valor de seu serviço

The New York Times |

Durante meses, surgiram relatos em Maidan Shahr, no Afeganistão, de que os mercenários afegãos que escoltam comboios americanos e da Otan através de regiões difíceis pagam propina para insurgentes Taleban para que possam passar.

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Comboio de caminhões com suprimentos para forças da coalizão parte de Maidan Shar na Província de Wardak, no Afeganistão (27/05/2010)
Agora, mortes recentes levantaram suspeitas entre investigadores locais e de Washington, que tentam rastrear milhões de dólares dos contribuintes pagos a companhias de segurança privadas que deveriam transportar suprimentos para bases americanas e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Ainda que a investigação não tenha sido concluída, as autoridades suspeitam que pelo menos algumas dessas companhias de segurança - muitas das quais têm elos com autoridades de alto escalão do Afeganistão - estejam usando dinheiro americano para pagar propinas ao Taleban.

As autoridades suspeitam que as companhias de segurança podem participar de batalhas falsas para aumentar a sensação de risco nas estradas e podem armar ataques contra concorrentes.

A investigação é complicada pelo fato de, entre outras coisas, algumas companhias de segurança serem de propriedade de parentes do presidente Hamid Karzai e de outras autoridades afegãs. O principal objetivo da campanha americana no país é preparar o Estado e Exército afegãos para que combatam o Taleban por si mesmo.

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Guardas de empresa de segurança reúnem-se antes de acompanhar comboio de caminhões com suprimentos em Maidan Shar na Província de Wardak, no Afeganistão (27/05/2010)
A possibilidade de conivência entre o Taleban e as autoridades oficiais do Afeganistão sugere que, em vez de combater um ao outro, os dois lados afegãos podem estar colaborando debaixo do nariz de seus ricos benfeitores. Os métodos das companhias de segurança podem ser heterodoxos.

Enquanto pelo menos algumas companhias possivelmente pagam proprina a militantes Taleban, muitas também agem com extrema agressividade em relação aos camponeses ou militantes que tentam interferir em seus comboios.

Um dos comandantes mais conhecidos de uma companhia de segurança é o afegão Ruhullah, que, como muitos no país, tem apenas um nome. Ruhullah controla a companhia Commando Security, que escolta comboios entre as províncias de Kandahar e Helmand e o oeste do país.

Ainda que ele seja suspeito de fazer acordos com militantes Taleban, Ruhullah é mais conhecido por ter lidado de maneira brutal com quem tenta impedir a passagem dos caminhões de seu comboio - civis ou insurgentes. "Ele destruiu vilas inteiras", disse um oficial do Ministério do Interior sob condição de anonimato.

Pelo menos dois grupos de investigadores americanos se concentram nas possíveis propinas pagas ao Taleban: o subcomitê de segurança nacional da Câmara e outro grupo que trabalha para a Otan em Cabul.

Oficiais afegãos e da Otan dizem que as evidências sugerem que, para manter seus comboios em andamento - e seus negócios -, algumas companhias podem ter pago militantes Taleban para não atacar, por vezes armar ataques contra concorrentes ou, como se suspeita no caso de Maidan Shahr, atacar forças da Otan.

"Acredito que algumas pessoas estão criando sua própria demanda", disse o major general Nick Carter, comandante das forças da Otan no sul do Afeganistão.

* Por Dexter Filkins

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