Grupos pedem solução contra assassinatos ao embaixador mexicano

CIDADE DO MÉXICO ¿ A Cidade de Juarez fora da lei se tornou um símbolo influente do agravamento da guerra contra as drogas no México. Os cartéis de drogas se tornaram testemunhas atemorizantes de assassinatos diários de traficantes, oficiais da polícia e espectadores. Mas, perdido entre manchetes estão os assassinos de jovens mulheres que chamou atenção internacional há mais de uma década até os dias de hoje.

The New York Times |

AP

Cruz representa mulher morta ou desaparecida em Juarez

Agora, grupos de mulheres frustradas estão criando novas manchetes por contra própria, desafiando a nomeação do embaixador do México no Canadá, Francisco Barrio Terrazas. Eles dizem que eu fui negligente ao lidar com as mortes nos anos 90, quando era governador do Estado de Chihuahua, onde é localizada a Cidade de Juarez, na fronteira com El Paso, no Texas.

Os grupos, juntamente com outras organizações de direitos humanos, mandaram um protesto formal para o ministro das Relações Exteriores mexicano, neste mês. Eles também estão pedindo que a Comissão de Relações Exteriores do Senado mexicano reconsidere Barrio Terrazaz com outras organizações de direitos humanos.

Ele não representa mexicanos, disse Marisela Ortiz, fundadora do May Our Daughters Return Home (deixe nossas filhas voltarem para casa, em tradução livre), uma associação de famílias vítimas na Cidade de Juarez, que está dominando o desafio. Por causa de características de misoginia (aversão às mulheres), nos opomos a qualquer posição que ele tome, e ainda mais em um país que é conhecido por promover a paz.

Histórico

Grupos de direitos estimam que ao menos 500 mulheres tenham sido mortas desde 1993 na Cidade de Juarez, e outras cidades no Estado de Chihuaua. Muitos deles foram torturados antes de serem mortos, seus corpos frequentemente eram achados semanas depois, jogado no deserto.

Muitas das mortes continuam não solucionadas. Embora várias pessoas tenham sido condenadas por alguns assassinatos durantes esses anos, alguns logo foram soltos após evidências mostrarem que eles foram torturados para confessar o crime.

Grupos de mulheres insistem em dizer que a polícia não tentou resolver os casos, seja porque temem que o crime organizado esteja envolvido, seja porque eles mesmos estejam envolvidos, seja ambas as hipóteses.

Os grupos também argumentam que as autoridades simplesmente não se importam porque as vítimas são pobres. Muitas das mulheres assassinadas desafiavam a cultura machista do México ganhando seu próprio salário em áreas industriais.

Divergências

As declarações mais incendiárias dos grupos femininos contra Barrio Terrazaas ¿ e que a mídia mexicana tem repetido inúmeras vezes ¿ é a de que certa vez ele afirmou que as vítimas não deveriam vestir minissaias e andarem por ruas escuras. Mas não ficou claro se Barrio Terrazas, que foi governador por seis anos, iniciando em 1992, realmente fez esse comentário

Em resposta a uma pergunta, o embaixador mexicano em Ottava, Canadá, disse que o embaixador rejeita a ideia de que foi indiferente ou insensível sobre o tópico ou de que tenha insinuado que as mulheres assassinadas na Cidade de Juarez, em Chihuahua, tenham alguma responsabilidade pro suas mortes.

O relato do embaixador também disse que ele incentivou firmemente a punição dos responsáveis pela morte ou desaparecimento das mulheres.

Preocupação

Barrio Terrazas, membro do Partido da Ação Nacional do presidente Felipe Calderon, teve várias funções nacionais desde seus anos como governador, incluindo servir como vice no Congresso mexicano. Ele começou a trabalhar como embaixador em 26 de fevereiro, após a ratificação do Senado.

Enquanto a violência em Juarez aumentou no ano passado, também aumentaram os assassinatos de mulheres, disse Ortiz, da May Our Daughters Return Home. A declaração do governo disse que 98 mulheres foram mortas no ano passado em Juarez, contudo, Ortiz estima que o número real seja de 130.

Embora os cuidados em assegurar as mulheres de Juarez tenham estremecido, os assassinatos têm atraído a atenção das celebridades. A mais recente em levantar a causa foi o cantor Peter Gabriel que, junto com representantes de grupos de direitos humanos, se encontrou com Calderón, no último mês, para entregar uma petição pedindo que ele trabalhe para acabar com a violência contra a mulher.

Por ELISABETH MALKIN

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