Grupos humanitários alertam para aumento no número de refugiados em Gaza

GAZA - Cada vez mais palestinos deixam suas casas e se abrigam em escolas, prédios comerciais e parques conforme o exército israelense continua a avançar sua ofensiva militar na cidade de Gaza.

The New York Times |

De acordo com as Nações Unidas, cerca de 30 mil pessoas estão vivendo em escolas patrocinadas pelo órgão, e outras 60 mil fugiram para a casa de parentes. Os números representam uma pequena parte da população de 1,5 milhões de habitantes de Gaza, mas duplicaram nos últimos quatro dias, afirmaram oficiais da ONU, gerando preocupação sobre o impacto humanitário de uma guerra mais ampla.

"O que começou muito pequeno, com números isolados, agora se tornou uma torrente", disse Aidan O'Leary, vice-diretor da agência da ONU responsável por lidar com refugiados palestinos.

O Egito continuou a pressionar por um cessar-fogo na segunda-feira, o 18º dia de campanha militar israelense em Gaza para impedir os disparos de mísseis do grupo Hamas. Sua agência de notícias estatal Middle East News Agency citou um oficial egípcio anônimo dizendo que as negociações entre o chefe de inteligência do país, Omar Suleiman, e enviados do Hamas foram "positivas".


Família palestina busca abrigo em um campo de refugiados nas cidade de Gaza / AP

O enviado especial do Oriente Médio Tony Blair, falando do Cairo, Egito, disse que os "elementos de um acordo para o cessar-fogo imediato estão em posição", relatou a Associated Press, apesar do oficial militar israelense sênior, Amos Gilad, ter adiado sua viagem ao país vizinho para discutir uma provável trégua. Um oficial israelense, falando sob condição de anonimato porque as negociações ainda não são públicas, disse que o atraso é uma questão de momento e não um rompimento das negociações.

Em um discurso televisionado na noite de segunda-feira, uma autoridade do Hamas, Ismail Haniya, expressou disposição por uma solução diplomática mas reiterou exigências anteriores de que qualquer acordo inclua a abertura das fronteiras de Gaza, que Israel e Egito mantiveram fechadas desde que o Hamas expulsou violentamente seu rival, o Fatah, em 2007.

Grupos humanitários, enquanto isso, viram o que dizem ser um número crescente de refugiados. Quando solados israelenses avançaram no bairro Zeitoun na noite de domingo, Olfat Jaawanah decidiu que aquilo era o suficiente. Estilhaços voaram por sua janela, ferindo seu filho, Ali, ela contou, e na manhã de segunda-feira a reuniu alguns pertences e saiu com seus nove filhos de sua grande casa na região.

A escola da ONU nas redondezas estava lotada (suas salas de aula cheias de famílias e seus banheiros fétidos) então ela levou as crianças para o escritório de seu marido, um prédio que pertence a uma organização internacional que atua no centro de Gaza.

"Explosões, foguetes", ela disse, arrumando as roupas de suas crianças. "Não aguentamos mais".

Por TAGHREED EL-KHODARY e SABRINA TAVERNISE

18º dia de ataques

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