Grupos extremistas africanos apresentam ameaça aos EUA, diz comandante

Segundo Carter Ham, organizações como a Al-Shabab, a Al-Qaeda e a Boko Haram têm manifestado intenção de atingir alvos ocidentais

The New York Times |

O principal comandante militar dos Estados Unidos para a África advertiu na quarta-feira que três organizações extremistas violentas no continente estão tentando forjar uma aliança para coordenar ataques contra os Estados Unidos e os interesses ocidentais.

O comandante, o general Carter F. Ham, oficial superior no Comando Africano, disse que as organizações terroristas na África Oriental, nos desertos do norte da África e na Nigéria "têm manifestado explícita e publicamente a intenção de atingir alvos ocidentais, e os Estados Unidos mais especificamente."

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Crianças brincam perto de um carro destruido no distrito de Kaleri, no nordeste da Nigéria. Autoridades ocidentais pedem nova abordagem para conter grupos radicais

Ham deixou claro que as três organizações militantes – a Al-Shabab na Somália, a Al-Qaeda no Magreb islâmico, em toda a região do Sahel, norte da África; e a Boko Haram no norte da Nigéria – ainda não tinham mostrado a capacidade de armar ataques significativos fora da sua terra natal.

"Tenho dúvidas sobre sua capacidade de cumprir essas ameaças", ele disse a um grupo de correspondentes, acrescentando estar preocupado com "a intenção expressa das três organizações em colaborar mais proximamente e sincronizar os seus esforços."

"Cada uma dessas três organizações, representa independentemente uma ameaça significativa, não apenas nas nações em que operam, mas regionalmente – e acho que elas representam uma ameaça para os Estados Unidos", disse Ham.

Oficiais do Departamento de Defesa confirmaram mais tarde que um carro-bomba usado em agosto por militantes da Boko Haram continham elementos explosivos geralmente usados pelo ramo da Al-Qaeda no Sahel. Essas informações forenses levaram os analistas a sugerir que o grupo havia compartilhado suas táticas e técnicas com a organização terrorista nigeriana.

Oficiais do Departamento de Defesa constataram que os três grupos terroristas africanos tradicionalmente têm com alvo o governo local e que diferem ideologicamente. Mas um oficial do Departamento de Defesa afirmou que é possível que eles estejam trabalhando em busca de "uma aliança de conveniência".

A ascendência de afiliadas regionais da Al-Qaeda é vista como especialmente preocupante por especialistas do governo.

A liderança tradicional da Al-Qaeda no Paquistão é considerado menos capaz de planejar e executar ataques significativos, especialmente desde a morte de Osama bin Laden, em maio. Mas oficiais do Pentágono afirmam que suas afiliadas regionais – em particular o ramo da Al-Qaeda no Iêmen – representam uma crescente ameaça aos interesses atuais dos Estados Unidos.

Indispostos a comprometer um grande número de tropas, os Estados Unidos têm procurado uma solução mais diplomática e ferramentas para o desenvolvimento da força militar na África. Por exemplo, um pequeno número de Boinas Verdes está treinando exércitos africanos para proteger suas fronteiras e patrulhar vastas extensões desoladas contra a infiltração de militantes da Al-Qaeda.

Por Thom Shanker e Eric Schmitt

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