Grupos de assistência buscam rotas alternativas para distribuir ajuda no Haiti

Com os voos com ajuda humanitária bloqueados no aeroporto de Porto Príncipe, as agências de ajuda internacional se esforçavam na sexta-feira para encontrar rotas alternativas para distribuir os suprimentos, diante das denúncias dos sobreviventes de que a ajuda não está chegando.

The New York Times |

Funcionários de agência internacionais de auxílio em Genebra e Roma disseram que as rotas alternativas prováveis incluíam tentar enviar os suprimentos por Santo Domingo, na vizinha República Dominicana, e o envio de navios capazes de descarregar suprimentos no porto altamente danificado da capital haitiana.

AFP
Haitianos acenam para helicóptero de agência humanitária

Haitianos acenam para helicóptero de agência humanitária

Também há relatos de saques em instalações com 15 mil toneladas de suprimentos em Porto Príncipe, de acordo com Greg Barrow, porta-voz do Programa Mundial de ALimentos da ONU. A agência de ajuda alimentar, que ressalva que saques não são incomuns em tais crises, disse que recuperou a maior parte dos suprimentos.

Emilia Casella, porta-voz da agência, cuja base fica em Roma, disse que os supermercados da capital "foram esvaziados" por haitianos desesperados, segundo a Associated Press.

Florian Westphal, porta-voz da Cruz Vermelha, disse que a ajuda está chegando na cidade. "Mas se você considerar a escala do sofrimento, (a ajuda) parecerá muito limitada", acrescentou.

Elisabeth Byrs, porta-voz da ONU para a Coordenação de Questões Humanitárias em Genebra, disse que as agências planejam criar um sistemaa de transporte por estrada, pequenos aviões e helicópteros para levar ao Haiti equipes que estão em Santo Domingo. Ela disse que, até agora, 17 equipes de busca e resgate chegaram em Porto Príncipe e ainda há possibilidade de encontrar sobreviventes.

Ainda há esperança; isso é a coisa mais importante", disse. Mas as equipes de resgate deparam-se com rotas bloqueadas por estradas destruídas, obstáculos logísticos e problemas em identificar caminhos alternativos para levar a ajuda até Porto Príncipe.

O aeroporto suspendeu o pouso de aviões na quinta-feira à tarde. Durante o dia, muitos aviões lotavam a pista, muitos estacionados sem combustível suficiente para ir a qualquer lugar, enquanto outros ficaram sobrevoando a cidade até receber autorização para pousar. O Aeroporto Tnternacional de Toussaint Louverture só conseguiu funcionar muito graças aos controladores de tráfego aéreo da Força Aérea dos EUA, que assumiram o controle da danificada torre de controle, e aos soldados americanos que gerenciaram as operações de campo.

Barrow, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos, que está liderando as operações logísticas, disse que a organização conseguiu distribuir alimentos para apenas 2.900 dos estimados 2 milhões de pessoas que provavelmente precisam de ajuda emergencial.

Quase todas as rotas para a entrega de mantimentos parecia ter problemas. Segundo Barrow, na estreita estrada de Santo Domingo, os veículos levam de 12 a 18 horas para chegar a Porto Príncipe. Com os equipamentos para descarregar mercadorias danificados no porto, a ONU planeja trazer navios equipados para descarregar os mantimentos. Mas o tempo de navegação de tais navios do ponto mais próximo nos EUA é de três dias.

Para realmente conseguirmos trazer comida, a prioridade é o mar", disse.

No aeroporto de Porto Príncipe, o primeiro grande carregamento de água e remédio deveria chegar até sexta-feira. Mas os desafios logísticos - falta de combustível para os aviões voltarem a seus países de origem, apenas um depósito para todos os materias que devem chegar e nenhum plano de como distribuir os mantimentos assim que chegarem - parecem intransponíveis.

Chris Weeks, que trabalha há cinco anos em situações de desastre como a do tsunami da Ásia e em países afetados por terremotos, disse: "Tenho a sensação de que a situação aqui será pior do que todas as anteriores que enfrentei porque o próprio aeroporto é uma das vítimas da tragédia."

Por Alan Cowell e Liz Robbins

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