Grupo militante paquistanês expande ataques no Afeganistão

Lashkar-e-Taiba aumenta atentados contra alvos indianos em território afegão

The New York Times |

O grupo militante paquistanês Lashkar-e-Taiba responsável por ataques contra alvos indianos tem expandido suas operações no Afeganistão, provocando baixas entre afegãos e indianos, criando campos de treinamento e aumentando a volatilidade das relações entre Índia e Paquistão.

Acredita-se que o  tenha planejado ou executado três grandes ataques contra autoridades do governo e trabalhadores privados indianos no Afeganistão nos últimos meses, de acordo com oficiais afegãos e diplomatas na região. O grupo continua a acompanhar a movimentação de trabalhadores indianos para possíveis ataque, eles disseram.

The New York Times
Afegão passa por local destruído por bomba em 12 de junho; Lashkar-e-Taiba pode ter sido responsável

O Lashkar-e-Taiba esteve por trás dos ataques sincronizados a diversos alvos civis em Mumbai, na Índia, em 2008, nos quais pelo menos 163 pessoas foram mortas.

Sua incursões no Afeganistão indicam suas ambições cada vez maiores de confrontar a Índia mesmo além do disputado território da Caxemira - o grupo foi criado há décadas pelos serviços militares e de inteligência do Paquistão como responsável pelo combate neste território.

Oficialmente, o Paquistão diz que já não apoia ou financia o grupo. Mas as atividades expandidas do Lashkar-e-Taiba no Afeganistão, especialmente contra alvos indianos, geram suspeitas de que o grupo tenha se tornado um dos representantes do Paquistão para combater a influência da Índia no país.

Este é mais um indicador de como militantes paquistaneses estão trabalhando para moldar o resultado da guerra no Afeganistão conforme se aproxima o prazo para retirada das tropas dos Estados Unidos em julho de 2011.

Sabe-se que oficiais militares paquistaneses recentemente reformados coordenaram os ataques de Mumbai e alguns membros do Lashkar-e-Taiba disseram que uma linha fina separa o grupo de seus antigos chefes no estabelecimento da segurança no Paquistão.

Alguns oficiais da inteligência militar dizem que é possível também que facções do Lashkar-e-Taiba, que significa Exército dos Puros, tenham rompido com seus antigos líderes e estejam trabalhando de forma mais independente, apesar de indianos e autoridades afegãs afirmarem que o foco em alvos da Índia está sendo interpretado como um desafio vindo diretamente do Paquistão.

Diversos especialistas dizem ainda que o grupo Lashkar-e-Taiba representa uma ameaça maior no Afeganistão até mesmo do que a Al-Qaeda, porque seus agentes são da região e portanto menos prontamente identificados, além de sofrerem menos ressentimento da população local do que os árabes que compõem a Al-Qaeda.

A capacidade do Lashkar-e-Taiba, segundo especialistas em terrorismo, têm crescido nos últimos anos desde que o grupo mudou muitas das suas operações para áreas tribais do Paquistão, onde comercializa inteligência, treinamento e conhecimentos com outros grupos militantes, incluindo a Al-Qaeda, o Taleban e a rede insurgente coordenada por Siraj Haqqani, outro antigo recurso do Paquistão.

"Muitos insurgentes linha-dura se afastaram do Lashkar-e-Taiba e seguiram para o norte e sul do Waziristão", disse um oficial de inteligência do Paquistão. "Há uma série de grupos dissidentes que são muito mais radicais. O problema não é o Lashkar-e-Taiba deixar por si só, mas os elementos que se afastaram do grupo e encontraram espaço no Waziristão.

Por Alissa J. Rubin

    Leia tudo sobre: paquistãoafeganistãoterrorismo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG