Grandes marcas apostam em moda para mulheres maiores

NOVA YORK - Beth Ditto ficou lívida. A Topshop, cadeia de lojas de moda rápida, chegou à cantora da banda Gossip e mascote do mundo da moda com a proposta para que Ditto se apresentasse em sua sede em Londres. Enormes balões com seu rechonchudo rosto em formato de coração estariam à mostra.

The New York Times |

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Modelo em nova coleção extragrande
Mas Ditto, que gosta de alardear o fato dos britânicos a chamarem de "pedaço de molezas", não iria aceitar. "Eu não acho justo colocar meu rosto em uma loja na qual nunca poderia entrar para comprar roupas", ela reclamou em seu blog.
Se a cadeia esperava capitalizar de sua imagem, ela escreveu, então por que não lhe conferiam o mesmo status que deram à Kate Moss e permitiam que ela criasse uma linha para "garotas grandes" com a marca Topshop. "Me deem o trabalho", exigiu Ditto. "Eu quero criar".

Sua mensagem caiu como uma luva e chegou aos ouvidos do Grupo Arcadia, companhia proprietária da Topshop. Este mês, alguns anos depois do episódio, o Arcadia planeja revelar uma coleção criada por Ditto para a Evans, a divisão de tamanhos maiores da companhia. Disponível nos Estados Unidos na internet, a marca ressalta visuais modernos como vestidos com corpetes e jaquetas de motoqueiros.

A coleção é a última a tentar incluir adolescentes e jovens mulheres mais cheinhas nas tendências direcionadas às amantes da moda, uma população que há muito ecoa a reclamação de Ditto por ser ignorada pela maioria das marcas.

"Até agora tem sido difícil oferecer conteúdo de moda adequado para clientes de tamanhos maiores", disse Jeff Van Sinderen, analista de comércio da B.Riley, empresa de pesquisa e investimento. A mulher maior, como é eufemisticamente conhecida, "ainda quer vestir as mesmas roupas que suas amigas mais magras", ele afirmou.

Outras lojas e designers entenderam a mensagem. A Forever 21, de tendências chiques mais baratas, lançou uma linha de tamanhos maiores, a Faith 21, este ano. A Target recentemente começou a vender a marca Pure Energy, com vestidos de tecidos mais modernos e blusas coloridas para jovens mulheres grandes. Estas marcas populares seguem o exemplo de outras como Karen Kane e Kiyonna, que são vendidas em boutiques.

Todas as linhas veem possibilidade de lucro ao oferecer alternativas mais estilosas ao antes popular conjunto monocromático. Da perspectiva comercial, faz sentido: essa base consumidora está crescendo, como há muito apontam as autoridades sanitárias. Cerca de 17% das adolescentes estão acima do peso, de acordo com pesquisas recentes.

O mercado jovem para tamanhos grandes mostrou forte crescimento há alguns anos, principalmente depois que a cadeia de moda rápida H&M entrou no negócio (A H&M desde então abandonou suas roupas de tamanho grande, por motivos que não quis informar).

No ano passado, a venda de roupas de tamanhos maiores para meninas e jovens mulheres entre 13 e 34 anos chegou a US$5.8 bilhões, de acordo com o Grupo NPD, uma empresa de pesquisa de mercado.
Mais do que sentimentalismo, tal tática de moda e mídia parece nascer da convicção de que mulheres jovens maiores estão se aceitando melhor. "Elas estão mais dispostas a mostrar partes do corpo que gostam", disse Sack, a loja de Chicago.
Por trás da tendência está um movimento amplo de aceitação da gorda entre acadêmicos, ativistas anti-inclinações preconceituosas e alguns psicólogos. "É importante usar o termo 'gorda' como uma descrição, até mesmo como algo positivo'", argumentou Maribona da Fat Fancy.

Mas há quem aponte as consequências do peso para a saúde. Andrea Marks, especialista em medicina adolescente de Manhattan, suspeita que "a ampla maioria das meninas que estão acima do peso não é tão feliz". Aparentemente a auto-aceitação, segundo ela, pode ser uma fachada para a resignação.

Os consumidores também parecem desconfiados. Ao conferir a marca Piper & Blue na Kmart nesta segunda-feira, Kristin Lopez, 20, estudante de cosmetologia, disse que "muitas das roupas parecem baratas".
"Eu não gosto do caimento e, pela qualidade, o preço está muito alto", ela acrescentou. A coleção, que inclui leggings rosa choque, vestidos estampados e uma blusa amarela de listras, tem preços entre US$13 e US$25.

No entanto, lojas aventureiras são desanimam. "O mercado de tamanhos maiores é muito atraente para o mundo da moda", disse Fiona Ross, diretora de marca da linha Evans da Topshop, que vende os designs de Beth Ditto. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, declarou Ross, "nós podemos fazer parte desta oportunidade".


Por RUTH LA FERLA



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