Grandes doadores ainda demonstram interesses em apoiar Obama

O senador Barack Obama costuma destacar as contribuições de US$ 200 ou menos, que juntas representam metade dos US$ 340 milhões que ele conseguiu até agora, num esforço de se mostrar independente da influência do dinheiro na política.

The New York Times |

Mas os números mostram que um terço da sua verba recorde veio de doações de US$ 1.000 ou mais (um total de US$ 112 milhões, mais do que os senadores John McCain ou Hillary Rodham Clinton conseguiram em contribuições deste tamanho).

Por trás destas doações estão mais de 500 "empacotadores" de Obama, arrecadadores que coletaram contribuições que totalizam US$ 50 mil ou mais. Muitos destes "empacotadores" vêm de setores com interesses em Washington. Quase três dezenas deles levantaram mais de US$ 500 mil cada, incluindo mais de meia dúzia que ultrapassaram a marca de US$ 1 milhão e um ou dois que conseguiram mais de US$ 2 milhões.

Ainda que sua campanha cite o volume das pequenas doações como motivo de sua decisão de abandonar o financiamento público, Obama trabalhou para criar uma rede de partidários abastados do momento em que começou a contemplar a disputa por uma vaga no Senado dos EUA. Ele procurou pessoas bem conectadas em Chicago antes das eleições ao Senado em 2004 e, depois de eleito, passou a cultivar arrecadadores influentes em todo o país.

Ele os cortejou com a sabedoria de um político veterano, através de ligações, jantares e encontros. Escreveu cartões de agradecimento, se lembrou de aniversários, enviou cópias autografadas de seu livro e afagou crianças.

Com sua decisão de não aceitar o financiamento público, Obama precisou passar a contar com seus "empacotadores" para conseguir US$ 300 milhões para sua campanha geral e outros US$180 milhões para o Comitê Nacional Democrata.

Cerca de dois terços de seus "empacotadores" são originários de negócios de advocacia, seguros e investimentos, imobiliárias e entretenimento.

O maior grupo é composto por advogados, chegando a 130, com muitos deles trabalhando para empresas que também representam interesses de grupos de armas. Ao menos 100 dos "empacotadores" de Obama são executivos ou corretores de investimentos: quase duas dezenas trabalham para titãs financeiros como Lehman Bros., Goldman Sachs ou Citigroup.

Obama prometeu não aceitar doações de lobistas ou comitês de ação política, mas alguns de seus doadores também têm interesses. Executivos de fundos financeiros, por exemplo, arrecadaram grandes somas para Obama num momento em que o setor tenta aumentar sua influência em Washington.

Por MICHAEL LUO e CHRISTOPHER DREW

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