Grande buraco no gramado da Casa Branca provoca especulações

Oficiais dizem que reformas trocarão sistema de ar condicionado, mas boatos garantem que obras são para complementar segurança

The New York Times |

O presidente Barack Obama, que tem viajado pelo país pedindo ao Congresso que aprove seu projeto de lei de empregos para que americanos possam ser colocados para trabalhar em projetos de infra-estrutura, só precisa olhar para fora de uma janela na Casa Branca para ver um desses projetos. A reforma em andamento em seu gramado nos últimos 17 meses é visível, mas permanece misteriosa.

Pela primeira vez na memória recente, o chão e o encanamento que passa por baixo da Sala Oval estão expostos, e, diariamente, trabalhadores baixam blocos de concreto maciço ao subterrâneo. Guindastes, caminhões e trabalhadores de construção civil entram e saem do buraco, geralmente através de uma passagem entre a Casa Branca e o velho Edifício do Gabinete Executivo.

NYT
Pedreiros e construtores trabalham em uma reforma do lado de fora da Casa Branca, em Washington

O buraco cavernoso tem provocado muita especulação. Será uma piscina olímpica para o primeiro casal esportivo? Um bunker mais espaçoso? Um lugar, talvez, para esconder o déficit do país?

A Administração de Serviços Gerais diz que é uma reforma elaborada do antigo sistema de condicionamento de ar do prédio e suas fiações elétricas. Essas melhorias acontecem periodicamente, segundo a porta-voz do órgão, Sara Merriam, que acrescentou que a principal reforma de Washington logo terá continuidade do outro lado da Casa Branca.

"Como parte desse projeto", Merriam disse em um email, "a Administração de Serviços Gerais tem escavado e instalado equipamentos em frente à Ala Oeste e uma vez que esta fase for concluída irá atualizar sequencialmente o restante da Casa Branca”.

A fase final de construção terá lugar perto do Centro de Operações de Emergência Presidencial, que ficou famoso como o local onde o vice-presidente Dick Cheney se abrigou nas horas seguintes aos ataques de 11 de Setembro , enquanto o presidente permanecia no Air Force One, esperando a permissão para seguir para Washington.

Embora oficiais da Casa Branca digam não saber muito sobre a construção, alguns disseram acreditar que ela seja "relacionada à segurança".

Outro oficial da Casa Branca disse que a construção viria a conectar o que quer que esteja sendo construído no subsolo com o centro de operações, que foi originalmente construído durante o governo de Franklin D. Roosevelt – a ideia seria uma expansão geral da base de operações de emergência.

"Essa construção tem relação com a segurança", disse o oficial, que não estava autorizado a falar publicamente sobre o projeto. "Mesmo que não saibamos exatamente o quê."

Um centro de operações de emergência maior poderia reduzir a necessidade de evacuação no caso de emergência e ajudaria a garantir "a continuidade do governo", como explicou Cheney.

Apesar do tamanho do buraco, do silêncio dos trabalhadores da construção civil e do fato de que os fundos para arcar com os custos foram arrecadados depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, Merriam mantém que se trata apenas de uma reforma.

"O tipo, tamanho e complexidade do trabalho associado com a substituição dos sistemas de infraestrutura exigem escavações extensas e estruturas de apoio são construídas para garantir um trabalho eficaz", disse.

Pebble Beach, o nome não oficial da plataforma elevada onde jornalistas se posicionam para fazer gravações diante da Casa Branca, oferece uma visão clara do buraco. Equipes de câmera observam o processo de construção e o consideram com uma piscadela e um aceno de cabeça.

"Estamos falando de ar condicionado, certo?", disse um quando questionado sobre o que sabia do trabalho que está sendo feito.

"Sim, isso mesmo", respondeu o outro, com um sorriso. "Ar condicionado."

Por Will Storey

    Leia tudo sobre: casa brancawashingtonreformaeuaobamasegurança

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG