Governo chinês se mobiliza para impedir candidaturas independentes

Em decisão publicada em jornal oficial, autoridades colocam uma série de obstáculos processuais para quem quer concorrer

The New York Times |

As autoridades chinesas parecem estar tentando limitar as tentativas de um grupo de cidadãos de concorrer a eleições legislativas locais como candidatos independentes, indicando que tais candidaturas são ilegais e que ninguém pode concorrer a um cargo sem antes passar por uma série de obstáculos processuais.

A decisão, publicada na semana passada pela agência de notícias Xinhua e pelo Diário do Povo, um jornal do Partido Comunista, parece para alguns refletir a preocupação oficial sobre o controle do Partido Comunista no processo eleitoral em uma sociedade cujos membros estão cada vez mais conectados pela internet.

AFP
Presidente chinês, Hu Jintao, em visita oficial a Astana, no Cazaquistão (13/6/2011)
Dezenas de pessoas sinalizaram recentemente em publicações em microblogs que têm a intenção de montar suas próprias campanhas para concorrer a cargos locais contra o Congresso Nacional Popular, uma espécie de legislativo da China.

Alguns candidatos sugeriram, no entanto, que a decisão fez pouco para ilegalizar formalmente as campanhas de candidatos independentes que não têm a bênção oficial do partido.

"No geral, acho que a resposta oficial é um pouco mais positiva do que negativa", disse Xu Zhiyong, um proeminente advogado de direitos civis eleito em 2003 para a Assembleia Popular do distrito de Haidian (no centro de Pequim) como um candidato independente. "Legalmente, não há nada de errado com o que foi dito”.

Ao mesmo tempo, os cidadãos ainda têm o direito de proclamar-se "candidato independente", afirmou Xu, “assim como têm o direito de escolher seus próprios candidatos”.

Eleições

As legislaturas locais escolhem seus membros a cada cinco anos em eleições que o governo elogia como um exercício de democracia popular.

A agência Xinhua informou que cerca de 900 milhões de eleitores escolheriam 2 milhões de novos legisladores para gabinetes que correspondem aos conselhos municipais dos Estados Unidos. Na prática, os candidatos são escolhidos a dedo em grande parte por oficiais e comitês do Partido Comunista, e indivíduos são frequentemente desencorajados de se candidatar.

Candidatos fizeram suas próprias campanhas e foram eleitos no passado, mas suas vitórias são extremamente raras e a reeleição é ainda mais difícil.

A revista de pesquisa de negócios Caixin detalhou na semana passada os esforços de Liu Ping, que tentou concorrer em uma eleição distrital na província de Jiangxi, em abril. Liu não foi autorizada a pegar os formulários de indicação para que seus partidários assinassem. Algumas pessoas foram avisadas por telefone para que não a apoiassem.

No fim, ela foi impedida de concorrer "de acordo com estatutos do partido e seu comportamento anterior", um comentário que pareceu ser uma referência a uma tentativa anterior de entrar em contato com as autoridades de Pequim sobre queixas de trabalhadores.

*Por Michael Wines

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