Governo chinês reconhece irregularidades das escolas que desabaram com o terremoto

PEQUIM ¿ Um comitê do governo chinês disse na quinta-feira que a pressa para construir escolas durante o recente boom econômico do país pode ter sido responsável pelos prédios de baixa qualidade que resultaram na morte de milhares de estudantes durante o devastador terremoto de maio.

The New York Times |

O discurso de Ma Zongjin, presidente do comitê oficial de especialistas que avalia os estragos do terremoto de 12 de maio, afirma que é a primeira vez que um representante do governo chinês reconhece que as construções pobres podem ter levado aos colapsos. Até agora, funcionários de Pequim e da província de Sichuam, que sofreu a maior parte dos estragos, diziam que foi a magnitude do terremoto que provocou os colapsos.  

O desabamento das escolas foi o ponto político que ficou mais em evidência depois do terremoto. Neste verão, os pais em luto saíram às ruas para protestar contra os governos locais e exigir que autoridades conduzissem de maneira adequada as investigações. Funcionários locais se sentiram ameaçados pelos pais e ordenaram que polícia interrompesse os protestos ¿ alguns policias até arrastaram mães chorando ¿ e oferecessem aos pais uma recompensa em dinheiro para que parassem as exigências.    

Muitas escolas na região do terremoto desabaram enquanto outros prédios ao redor permaneceram erguidos. De acordo com estimativas, como 7 mil salas de aula desabaram, cerca de 10 mil estudantes devem ter morrido. No total, cerca de 70 mil pessoas morreram no terremoto e 18 mil são consideradas desaparecidas; oficiais agora dizem que aqueles que continuam desaparecidas devem estar mortos. O terremoto foi o desastre natural que mais matou pessoas na China em três décadas.  

Governo reconhece

Em uma coletiva de imprensa em Pequim na quinta-feira, Ma disse que mil escolas sofreram com pelo menos um ou dois grandes problemas: foram construídas em uma linha falha e desabaram da mesma maneira que muitos outros prédios ao redor, ou foram pobremente construída.   

Esse segundo problema é a qualidade da construção em si ¿ sua estrutura não era completamente sólida ou os materiais não eram suficientemente fortes, o que é possível, disse Ma. Recentemente, nós construímos escolas relativamente rápido, então alguns problemas devem existir.

Ma também reconheceu a importância do assunto para a opinião pública, e disse que o governo enviou dois mil especialistas para a área atingida.

Esse é uma assunto no qual as pessoas estão prestando atenção também, declarou. Primeiro, os pais dos alunos estão prestando muita atenção, assim como os departamentos de educação. E mesmo as pessoas ao redor de todo o país estão prestando muita atenção nesse assunto.

Quando as equipes do governo central apareceram na região do terremoto, alguns funcionários locais queriam exagerar a intensidade do terremoto para que as construções não pudessem  ser culpadas pelos desabamentos, disse Ma. Alguns funcionários também queriam contar a grande perda de verba que aconteceu recentemente para ganharem mais ajuda financeira, adicionou.  

Shi Peijun, vice-presidente do comitê de inspeção, disse na coletiva que a perda total do terremoto foi de US$ 123 milhões.   

Ma não deu nenhum outro detalhe sobre as descobertas dos especialistas nem disse quando o governo irá divulgar o relatório final. O objetivo da coletiva era atualizar os jornalistas sobre os esforços. Ma não mencionou os desabamento das escolas até ser perguntado sobre eles.

É conhecido que as construtoras e outras companhias tentaram economizaram verba durante o rápido crescimento da economia chinesa. Mas é raro o governo admitir aos jornalistas não só a existência do problema, mas suas conseqüências fatais, como fez Ma. Se corretamente conduzidas, as próximas investigações sobre as construções das escolas deverão envolver governantes locais que ordenaram as construções e são supostamente responsáveis pelos inspetores que asseguraram a conformidade das construções com os padrões. 

Por EDWARD WONG

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