Governo americano deve fiscalizar resgate de automobilísticas

Os democratas do Congresso rascunharam uma lei no domingo que estipula maior controle governamental sobre a deficiente indústria automobilística americana, incluindo a possível criação de um comitê de fiscalização composto por cinco secretários de gabinete e pelo líder da Agência de Proteção ao Meio-Ambiente (EPA, na sigla em inglês), além de ser coordenado por um presidente independente ou especialista.

The New York Times |

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A forma de fiscalização ainda é considerada fluída e está sendo negociada entre democratas e a Casa Branca, mas as conversas deixaram claro o quanto as montadoras terão que submeter ao controle do governo para receber o resgate financiado pelo contribuinte.

De acordo com uma proposta, o comitê coordenaria os planos drásticos de reorganização que as montadoras disseram estar dispostas a adotar em troca de bilhões de dólares em empréstimos governamentais a curto prazo para mantê-las nos negócios, de acordo com um assessor envolvido na questão.

O debate sobre quão forte deve ser a mão do governo em relação às automobilísticas aconteceu no momento em que negociadores da Casa Branca e do Congresso buscavam dar os toques finais nas condições para o empréstimo de US$15 bilhões que manterá Chrysler, General Motors e Ford operantes. A lei também irá implementar proteções aos contribuintes, inclusive garantias em ações que darão ao governo poder sobre as três companhias, novos limites sobre os salários dos executivos, além da proibição de dividendos em estoque enquanto os empréstimos não forem quitados.

Depois que o projeto de lei oferecendo ajuda às montadoras for finalizado pelos democratas do Congresso e Casa Branca, será preciso a aprovação de alguns republicanos do Senado. O senador Carl Levin, democrata de Michigan, um dos principais defensores da indústria automobilística, disse no domingo que não tem certeza se o plano conseguirá os 60 votos necessários para ser aprovado pelo Senado.

Novo governo

O presidente eleito Barack Obama, cuja equipe de transição está envolvida nas negociações, deixou claro no domingo que qualquer ajuda às Big Three companhias automobilísticas deve acontecer sem concessões significativas às companhias.

"Elas terão que se reestruturar", disse Obama em uma entrevista ao programa "Meet the Press", da NBC. "E todos os seus acionistas terão que se reestruturar. A força de trabalho, os acionistas, os credores - todos terão que perceber que precisam fazer isso - seu modelo de negócios não é sustentável agora, então não podem continuar adiando o tipo de mudanças que, francamente, deveria ter acontecido há 20 ou 30 anos".

Ainda assim, a lei pode não oferecer os amplos poderes que alguns legisladores pediram para permitir o que seria um processo de falência fora das cortes, no qual os credores das automobilísticas poderiam ser forçados a reduzir os pagamentos, os contratos de trabalho poderiam ser reescritos e os executivos sumariamente dispensados.

Por DAVID HERSZENHORN e JACKIE CALMES

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