Golpe em Honduras ressalta passado de influência americana na região

WASHINGTON - O presidente Barack Obama condenou na segunda-feira o golpe que derrubou o presidente de Honduras como um ato ilegal que marca um terrível precedente para a região, conforme o novo governo do país desafiava pedidos internacionais de que devolva o poder ao presidente eleito e reprimia milhares de manifestantes que saíram às ruas.

The New York Times |

"Nós não queremos voltar um passado sombrio", disse Obama, "no qual golpes militares sobrepujaram eleições". "Queremos sempre defender a democracia", ele acrescentou.

A crise em Honduras, na qual membros das forças militares abruptamente acordaram o presidente Manuel Zelaya no domingo e o forçaram a deixar o país de pijamas, coloca diante de Obama os fantasmas da antiga política externa americana para a  América Latina.

Os Estados Unidos costumavam apoiar facções políticas rivais e instigar golpes na região, portanto oficias desta gestão se viram na defensiva nos últimos dias, rejeitando inúmeras alegações do presidente Hugo Chávez da Venezuela de que a CIA pode ter tido envolvimento na derrubada do presidente de Honduras. Os Estados Unidos há muito têm fortes relações com as forças militares daquele país.

Ainda que oficiais da gestão Obama tenham dito que foram surpreendidos pelo golpe de domingo, eles afirmam que têm trabalhado há algumas semanas para tentar evitar uma crise política em Honduras conforme os conflitos entre Zelaya e os militares aumentavam por causa de sua tentativa de ampliar o tempo de mandato presidencial.

As Forças Militares americanas ajudam a treinar as forças de Honduras e estes fortes elos colocaram a gestão Obama em uma posição difícil, sob a acusação de que possa ter desviado a atenção do golpe.

Oficiais da gestão negam as acusações e a rápida resposta de Obama à retirada do presidente hondurenho foi muito diferente daquela da gestão Bush, que em 2002 ofereceu endosso rápido e tácito a um curto golpe contra Hugo Chávez.

Mas há algumas semanas, no dia 2 de junho, oficiais da gestão Obama tiveram um primeiro sinal da situação política no país quando a secretária de Estado Hillary Clinton viajou a Honduras para conferência da Organização dos Estados Americanos.

Clinton se encontrou com Zelaya e os dois discutiram os planos do presidente de realizar um referendo que permitiria uma mudança constitucional, afirmaram oficiais da gestão.

Os oficiais americanos não acreditam que os planos de referendo de Zelaya estivessem alinhados com a Constituição do país e temiam que pudesse inflamar as forças militares e outras facções políticas de oposição, eles dizem. Mas um oficial desta gestão alertou contra a elaboração de paralelos entre os planos de referendo de Zelaya e o golpe.

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