Giorgio Armani inaugura megaloja na Quinta Avenida

NOVA YORK - Troppo, disse Giorgio Armani. Demais. Ao se encontrar com Armani, que, aos 74, é um dos designers de moda mais ricos e bem sucedidos do mundo, é recomendável que se leve em conta que ele é um homem muito exigente a respeito de coisas como imagem, controle, exibição e a quantidade de molho no seu macarrão.

The New York Times |

Pode-se até dizer que ele é difícil, como quando, ao ser fotografado em sua nova loja na Quinta Avenida na segunda-feira, ele reclamou que as luzes estavam fortes demais, que não gosta de ser fotografado de alguns ângulos e nunca, nunca contra um fundo branco.

Mas, como Armani pode atestar, ninguém chega longe no mundo da moda sendo fácil.

Em julho do ano passado, antes da grave recessão mundial ser percebida, sua companhia relatou vendas anuais de US$ 2,1 bilhões e lucros de quase US$ 300 milhões. Ele já havia comprado o espaço, antes ocupado pela Hugo Boss na esquina com a Rua 56, e, apesar das nuvens negras no horizonte, foi adiante com os planos de construção de uma megaloja de quase quatro mil metros quadrados, incluindo três coleções, um restaurante e uma loja de chocolates.


Fachada da nova loja de Giorgio Armani / NYT

Então, quando Armani chegou à cidade esta semana para a inauguração, foi este designer italiano que se tornou a principal notícia da Semana de Moda de Nova York.

Ele parecia ser o único designer gastando dinheiro. "Este é o momento para se fazer isso", disse Armani em italiano durante a coletiva de imprensa na loja, sendo traduzido em inglês por um intérprete.

"Um empreendedor mostra suas verdadeiras cores em um período de crise, não quando todos estão tendo sucesso", ele disse. "Se vocês me perguntarem se eu acho que irá funcionar, claro que eu não tenho a resposta para isso. É muito difícil".

A escadaria, fina como a cintura de uma modelo, logo ficou travada, e, claro ao longo de uma hora, um convidado corria o risco de esbarrar em Ricky Martin, Alicia Keys, Victoria Beckham ou Natalia Vodianova ao tentar passar por ali. Wanda McDaniel, conexão de Armani com Hollywood, tentava resolver como lidar com a chegada de Leonardo DiCaprio.

"Claramente, todo mundo de Nova York está aqui", disse Joanna Coles, editora da revista Marie Claire, depois de tentar parabenizar Armani em italiano. "Primeiro, ele é um Deus da moda. Segundo, ele é incrivelmente bonito. E terceiro, é importante vir e mostrar seu apoio. Ele nos apoia. Nós o apoiamos".


Interior da loja de Giorgio Armani na Quinta Avenida / NYT

Talvez mais do que seus colegas, Armani acompanha como cada uma de suas coleções e manobras são percebidas pela imprensa de moda, incluindo a abertura de um templo à marca quando lojas de departamento da vizinhança que o ajudaram a chegar aonde chegou estão em dificuldades. Era importante, segundo ele, não parecer extravagante. Houve alguns acenos à percepção da crise, conforme Armani anunciou naquela noite que ao invés de gastar dinheiro em um enorme desfile ou jantar, ele havia doado US$ 1 milhão ao Fundo de Escolas Públicas.

"Neste momento, eu não acho que seja apropriado usar este dinheiro para comprar caviar", ele disse.

O prefeito Michael R. Bloomberg e Caroline Kennedy, vice-presidente do fundo, participaram da festa e responderam perguntas durante a coletiva de imprensa, na qual cerca de 30 jornalistas se sentaram em cadeiras de couro branco criadas pelo próprio Armani.

Questionado, por este repórter, quantos empregos a loja iria criar e quanto gastou para abri-la, Armani disse, através de seu intérprete, que a questão era "um pouco difícil". Diversas pessoas com conhecimento em italiano na sala disseram depois que a tradução foi generosa.

"Eu posso lhe informar assim que descobrir", ele disse. Para se ter uma ideia, em seu último relatório anual, a companhia afirmou que ter gasto US$ 37,8 milhões na abertura de uma loja quase do mesmo tamanho em Tóquio.

Armani não pareceu terrivelmente perturbado. Ao passar por ele na escada, recebi um sorriso e um tapinha de leve na bochecha. Na mesma hora, uma garçonete passou por ali com uma bandeja de batatas fritas redondas, cada uma coberta com um pequeno punhado de caviar.

- ERIC WILSON

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