General Petraeus deixa o Iraque e diz que ganhos são frágeis

BAGDÁ ¿ Nos dias finais de sua campanha para colocar ordem no Iraque, o general David H. Petraeus sentou em seu escritório na embaixada americana parecendo tenso, exausto e alguns anos mais velho do que aparentava quando assumiu o comando, 18 meses atrás.

The New York Times |

Mais de uma vez, enquanto falava sobre seu cargo, o general parou para tossir. Como um homem intensamente enérgico e orgulhoso de si por ter sido um dos melhores recrutas nos testes de força e resistência, Petraeus, 55, disse que foi forçado a diminuir seus treinamentos físicos diários para somente três vezes por semana.  

"Não há muita coisa no tanque no fim do dia", disse.

Apesar de todos dos sinais de fadiga, Petraeus está se preparando para deixar o Iraque um lugar mais seguro do que quando chegou ao país. A violência já não tem picos apocalípticos, os líderes do Iraque estão se entendendo e as ruas que antes pareciam mortas estão esbanjando vida. O pior, por agora, foi evitado. 


General Petraeus deixa em breve o Iraque e aponta a fragilidade das conquistas / Getty Images

E assim, na exaustão do general surge um reflexo de esperança, e também um aviso: o Iraque recuou do estágio de autodestruição, apontou Petraeus, mas os ganhos são tênues e provavelmente não sobreviverão sem os esforços americanos que ultrapassam o período do exercício de seu cargo.

Quando ele retornar para os EUA no próximo mês para assumir por completo o comando das tropas americanas no Oriente Médio e no Afeganistão, ele terá gasto, no total, 48 meses no Iraque desde que a guerra começou.

Eu não sabia que era uma espiral da morte, mas eu sabia que era uma situação muito difícil, contou Petraeus, se referindo à sua chegada para assumir o comando no Iraque em fevereiro de 2007. Nós conseguimos ganhos substanciais até este ponto. Não use isso para achar que acreditamos estar perto de terminar.    

Ainda não está estável. Não é uma situação que se sustenta sozinha, adicionou. Você sabe que ainda tem muito trabalho a ser feito.

O comando de Petraeus coincide com a "explosão" das forças americanas combatendo em Bagdá, que consistiu numa última e desesperada tentativa de colocar o país sob controle.

A chegada de 30 mil soldados extras, colocados estrategicamente nos arredores de Bagdá, permitiu aos americanos se aproveitarem de uma série de eventos importantes que aconteceram quase ao mesmo tempo: o estilhaço da milícia de Muqtada al-Sadr e do exército Mahdi; o crescimento da competência do exército do Iraque; e mais importante, a mudança de posição dos líderes da minoria sunita, que, de repente, pararam de fazer oposição aos americanos e se juntaram a eles contra a Al-Qaeda na Mesopotâmia e outros grupos extremistas locais.

A ação intensiva claramente funcionou, pelo menos até agora: a violência, medida pelo número de ataques contra americanos e iraquianos por semana, diminuiu 80% no país desde 2007, de acordo com números fornecidos pelo general.

As mortes de civis, que chegaram a 100 por dia no fim de 2006, também despencaram. Ataques suicidas, que alimentavam a violência, caíram de um total de 130 em março de 2007 para menos de 40 no último mês. Em julho, o número de americanos mortos por iraquianos ¿ 13 ¿ é o menos desde que a guerra começou.   

O resultado, agora visível nas ruas, é uma tranqüilidade nunca vista no Iraque desde que a invasão americana derrubou Saddam Hussein em abril 2003. Os sinais ¿ famílias iraquianas freqüentando parques ao pôr do sol, comerciantes abrindo lojas ¿ estão impressionando todos os que testemunharam o colapso do país entre 2005 e 2006.     

Petraeus não quis comentar sobre qual nível as tropas americanas precisam atingir para assegurar que as tendências positivas se tornem permanentes. De fato, o caminho pela frente no Iraque não parece claro, com os muitos arranjos extremamente frágeis que mantêm a paz ¿ como 100 mil pistoleiros sunitas, muitos deles ex-insurgentes, que custam U$ 25 milhões às folhas de pagamento do governo por mês. Um colapso da paz não é difícil de imaginar.

A questão com a qual os americanos se mantêm comprometidos parece que pode ser respondida imediatamente depois que o próximo presidente assumir o cargo em janeiro. Petraeus sugeriu que tem alguns detalhes em mente, mas não acha apropriado discuti-los publicamente. Eu posso, disse, mas não vou.  

A única coisa que uma pessoa na minha posição pode falar com responsabilidade é que, obviamente, depende das condições e qual o tamanho do risco que alguém está disposto a assumir, disse Petraeus, se referindo ao próximo presidente. 

Por DEXTER FILKINS

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