Geithner aconselha uma linha mais rigorosa em relação ao comércio da China

WASHINGTON ¿ Timothy F. Geithner, que ficou ainda mais perto de sua confirmação como secretário do Tesouro, nesta quinta-feira, 22, disse aos senadores que o presidente Barack Obama acredita que a China manipula sua moeda, sugerindo uma posição mais agressiva do que a da administração Bush, em relação ao país.

The New York Times |

AP
Geithner pode ser secretário do Tesouro de Obama
Timothy Geithner


O comentário de Geithner foi feito por escrito para o Conselho do Senado do Tesouro, horas antes dos membros do conselho darem 18 votos a favor e cinco contra para sua confirmação no cargo.

O relato, que com certeza irritará o governo chinês, vem em uma hora particularmente sensível, com ambas as economias dos EUA e da China enfraquecidas e com tensões crescentes no mundo do comércio.

Além disso, os Estados Unidos estão cada vez mais dependentes da China para financiar a expansão de seu déficit.

Um funcionário da administração disse que Geithner estava apenas repetindo o que Obama havia dito durante sua campanha e apontou que seu relato também enfatizou que o presidente pretendia usar todas as formas de diplomacia disponíveis a ele para dialogar sobre a questão atual.

Taxas de câmbio

Não ficou claro se Geithner estava sinalizando que Obama iria, posteriormente, declarar que a China está envolvida na manipulação da moeda, quando a administração deve apresentar um relatório ao Congresso sobre questões de taxas de câmbio, de acordo com uma lei de 20 anos atrás.

Uma descoberta como essa poderia desencadear esforços diplomáticos dos Estados Unidos para persuadir a China a deixar que o valor de sua moeda, o Yuan, flua espontaneamente ¿ um movimento que aumentaria seu valor e, portanto, o custo de suas exportações.

O presidente Obama ¿ apoiado por conclusões de vários economistas ¿ acredita que a China está manipulando sua moeda, escreveu Geithner. Ele parou logo de acusar que a China estava fazendo isso intencionalmente para ganhar uma vantagem comercial injusta, como é pedido na lei de 1988 em uma nota oficial sobre manipulação de moeda.

Agressividade

Mesmo assim, o novo relato da administração de Obama sobre essa atitude de escrever no segundo dia de posse foi imediatamente vista como significativo. A administração de Bush não usava o termo manipulação da moeda para evitar contrariar os chineses, mesmo quando criticava as políticas de comércio da China.

A posição mais agressiva será popular entre trabalhadores organizados nos Estados Unidos, uma parte majoritária dos partidários na campanha presidencial de Obama, e entre muitos industriais que dizem que a China mantém sua moeda desvalorizada, propositalmente, e deixando as exportações norte-americanas em uma desvantagem competitiva contra os baixos preços dos bens de consumo chineses. É enorme, disse Simon Johnson, economista e ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) que agora é professor de economia no Instituto de Tecnologia de Massachusetss. Eu estou apoiando muito em geral e acho que a China precisa ser chamada para prestar contas, e o FMI não tem feito isso, disse.

Mas, acrescentou, Eu tenho que dizer que é um assunto para o tema internacionalista do Sr. Obama, com sua política externa, porque isso será ao menos um pequeno conflito com a China e se não voltarmos atrás, haverá briga, e sabemos como isso termina.

Consequências imediatas

Os custos da dívida do Tesouro caíram modestamente depois da divulgação do comentário de Geithner, refletindo a preocupação entre os investidores de que a China esteja menos interessada em comprar a dívida dos Estados Unidos caso a nova administração pressione o país para reavaliar mais a fundo sua moeda. Os lucros obtidos durante uma ligação de 30 anos, que se move na direção oposta a seu preço, cresceu para 3,247% de 3,159%, na tarde desta quarta-feira, 21.

Mesmo antes, os lucros da dívida do governo no longo prazo vinham aumentando nas últimas três semanas, enquanto os investidores anteciparam um aumento significativo no empréstimo do governo.

O funcionário de Obama, que não quis ser identificado devido à delicadeza do processo de confirmação de Geithner, mencionou o testemunho oral do nomeado feito mais cedo para o Conselho do Tesouro.

Como foi dito por Tim Geithner, é importante para os Estados Unidos e para a economia mundial que nossos parceiros de comércio mais importantes operem com um sistema de taxas de câmbio flexível, disse o funcionário, no qual as forças de mercado determinam o valor das taxas de câmbio. A nova administração está comprometida em usar uma abordagem inteiramente integrada para trazer esse fator sobre o ambiente econômico atual.

Como senador, Obama apoiou a legislação, mais recentemente no ano passado, que abriria a porta para sanções de comércio contra a China por manipulação de moeda.

Crítico

O relato de Geithner foi uma resposta à questão escrita sobre a posição da nova administração que foi apresentada pelo senador Charles E. Shumer, democrata de Nova York, crítico conhecido das políticas de moeda da China.

Nesta quinta-feira, 22, Schumer recebeu bem a resposta de Geithner. Pela primeira vez em dois dias, esse é um grande passo para a administração de Obama, disse em uma entrevista. E eu penso que é uma indicação: Eles não serão contra o livre comércio; eles não ficarão colocando barreiras artificiais no caminho. Mas quando outros países o fizerem, eles serão muito mais severos com eles.

A Associação Nacional de Industriais, cujos membros pressionaram administrações anteriores para serem mais severas com a China, ficaram satisfeitos, mas cautelosos dado o potencial de confrontação que poderia exarcebar os problemas da economia global.

Cautela

Sabemos que o mundo mudou muito com a crise financeira e a China é importante para o Tesouro dos EUA, disse Frank Vargo, vice-presidente dos negócios econômicos internacionais na associação de industriais. Isso deve ser feito de forma cooperativa e não de maneira conflituosa.

Alguns estrategistas de marketing disseram que o relato de Geithner inflamou, desnecessariamente, questões controversas dado que as exportações da China e sua economia estão desacelerando significantemente.

As coisas mudaram um pouco desde que Hank Paulson levantou essa questão, disse um analista independente, Edward Yardei, referindo-se a Henry M. Paulson Jr., ex-secretário do Tesouro, que acabou de sair do cargo. O excedente do comércio chinês está encolhendo dramaticamente e a economia da China está caindo na recessão. Acho realmente que não era necessário. Isso não chega a lugar nenhum.


Por JACKIE CALMES

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