Gays no Exército dos EUA trariam poucos danos, diz relatório

Documento sobre lei 'Don't Ask, Don't Tell' passará por revisões e deverá ser divulgado oficialmente em 1º dezembro

The New York Times |

Um novo relatório do Pentágono concluiu que a revogação da lei "Don't Ask, Don't Tell" (“Não Pergunte, Não Diga”, em tradução livre) não prejudicaria os militares. Segundo o documento, qualquer problema temporário que a suspensão da medida pudesse causar poderia ser atenuado por uma liderança eficaz.

As pessoas familiarizadas com o relatório, que são a favor da revogação da lei para permitir que gays e lésbicas possam servir nas Forças Armadas assumindo abertamente sua preferência sexual, também disseram que o documento não recomenda o alojamento separado para os homossexuais do Exército. Mas disseram também que o informe revela que alguns integrantes ativos continuam se opondo ao serviço dos homossexuais, principalmente nos Fuzileiros Navais e no Exército.

No geral, porém, o relatório mostrou que a maioria dos membros das Forças Armadas e suas famílias não se importaria se gays e lésbicas servissem abertamente.

O relatório, que passará por revisões por meio da hierarquia civil e militar do Pentágono, deverá ser divulgado oficialmente em 1º de dezembro. Uma série de detalhes foram reportados inicialmente na quinta-feira pelo jornal The Washington Post.

Aubrey Sarvis, diretor-executivo da Rede de Defesa Legal de Membros das Forças Armadas, grupo que representa cerca de 13 mil gays e lésbicas dispensados do serviço militar desde que a lei de 17 anos de idade entrou em vigor, culpa em parte a liderança do Exército e dos Fuzileiros Navais pela oposição à revogação da medida entre os seus soldados.

"Embora a cultura nessas duas forças possa ser um pouco diferente do que nas demais", disse Sarvis, "antes mesmo das pesquisas terem sido divulgadas a liderança do Exército e dos Fuzileiros Navais prejudicou sua objetividade ao expressar hostil oposição ao serviço aberto".

Sarvis se referia a comentários feitos no início deste ano pelo general George W. Casey Jr., chefe do Estado Maior do Exército, e pelo general e James T. Conway, na época comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, expressando profunda preocupação sobre a velocidade da revogação da lei "Don't Ask, Don't Tell"

Recentemente, o atual comandante atual do Corpo de Fuzileiros Navais, o general James F. Amos, disse na Califórnia que acabar com a proibição em meio a duas guerras envolveria "riscos" para os fuzileiros navais. Ele disse: "Não há nada mais íntimo do que homens jovens" que são "colocados lado a lado, dormem juntos e compartilham o medo da morte e a perda de irmãos".

Amos foi rapidamente repreendido por seus comentários pelo almirante Mike Mullen, presidente do Estado-Maior Conjunto, que apoia a revogação. Na quinta-feira, o porta-voz de Amos, major Joseph M. Plenzler, disse que os comentários foram sobre a natureza da interação humana no campo de batalha, não sobre onde e como se dorme. Plenzler disse que Amos tinha apresentado os seus comentários com a frase: "Não há nada mais íntimo do que o combate, e eu quero que isso fique claro como cristal.”

As conclusões gerais do relatório, que incluem um levantamento com centenas de milhares de membros do serviço na ativa e suas famílias, foram conseguidos por grupos de defesa dos direitos homossexuais para promover o seu pedido de revogação no Capitólio. Tal como está agora, as perspectivas de que o Congresso autorize a revogação da lei permanecem incertas, e não está claro se o relatório vazado vai influenciar os republicanos do Senado que querem manter a proibição.

"Não tenho certeza de que influenciará muitos republicanos", disse um assessor da liderança democrata no Senado na quinta-feira. "É uma questão ideológica."

Caso a medida não passe no Senado ou o Senado não aja antes do fim do ano, grupos de defesa dos direitos homossexuais disseram que entrarão com uma série de ações judiciais além das que já estão nos tribunais e agirão de maneira agressiva por meio do Judiciário.

Um advogado familiarizado com o pensamento do pessoal da Casa Branca disse que não foi possível para o presidente Barack Obama emitir uma ordem executiva que revogue a lei porque um presidente não pode invalidar uma lei federal existente. Advogados apontam que nenhuma lei federal esteve envolvida quando o presidente Harry S. Truman emitiu a ordem executiva que integrou os militares em 1948.

Alguns grupos de defesa dos direitos homossexuais disseram que o presidente deve emitir uma ordem “que interrompa a perda”, como aquelas usadas para manter soldados cujo destacamento acabou para evitar descargas adicionais de gays e lésbicas. Mas os advogados familiarizados com a questão disseram que isso seria visto como um chamariz e que há dúvidas sobre a autoridade do presidente para agir neste caso.

* Por Elisabeth Bumiller

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