Gastos militares no Iraque ignoraram regras, diz Pentágono

Uma auditoria do Pentágono sobre os US$ 8.2 bilhões dos contribuintes americanos gastos pelo Exército dos Estados Unidos em contratos no Iraque descobriu que quase nenhum dos pagamentos seguiu as regras federais e que, em alguns casos, contratos de milhões de dólares foram pagos apesar de pouco ou nenhum registro do que foi recebido em troca.

New York Times |

A auditoria também descobriu uma surpreendente falta de prestação de contas na forma como os militares americanos gastaram US$ 1,8 bilhões em propriedades iraquianas apreendidas ou congeladas, que durante as primeiras fases do conflito geralmente foram distribuídos em pilhas de dinheiro. Os resultados da auditoria foram divulgados na quinta-feira juntamente com uma audiência no Congresso sobre os pagamentos.

Em um caso, de acordo com o documentos mostrados pelos auditores do Pentágono durante a audiência diante do Comitê de Vistoria e Reforma do Governo, um pagamento de US$320.8 milhões em dinheiro iraquiano foi autorizado com base em uma única assinatura e as palavras "Pagamento de Salário Iraquiano" em um recibo. Em outro, US$11.1 milhões do dinheiro dos contribuintes foi pago à IAP, uma empresa americana, com base em uma nota sem identificação do que foi entregue.

Mary L. Ugone, vice-inspetora geral do Pentágono da auditoria, disse aos membros do comitê que a ausência de qualquer documentação fora a nota significa que "estávamos pagando sem base alguma para isso".

"Nós não sabemos o que recebemos", disse Ugone em resposta à perguntas do presidente do comitê Henry A. Waxman.

O novo relatório é especialmente importante porque enquanto outros auditores federais criticaram a forma como os Estados Unidos lidaram com o pagamento de contratos no Iraque essa é a primeira vez que o próprio Pentágono reconhece erros de gerenciamento dessa magnitude.

A revelação de que US$1.8 bilhões em propriedades iraquianas foram manejados incorretamente acontece depois de descobertas anteriores de uma agência federal independente, a Inspetora Especial Geral da Reconstrução do Iraque, de que autoridades da ocupação americana no começo do conflito não souberam explicar a destituição de US$8.8 bilhões em petróleo e propriedades iraquianas apreendidas.

"Esse relatório documenta mais seriamente como os Estados Unidos não estavam preparados para usar a contratação na escala que precisavam na guerra no Iraque", disse Anthony H. Cordesman do Centro de Estudos Internacionais e de Estratégia em Washington.

"Nós realmente nos permitimos uma dependência cada vez maior dos contratos em tempos de paz", disse Cordesman. "Mas não estávamos preparados para usá-los em tempos de guerra e o impacto disso é enorme".

- JAMES GLANZ

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