Garotas sauditas respondem a tabus com banda de rock

JIDDAH, Arábia Saudita - Elas não podem se apresentar em público. Ela não podem posar para fotos. Mesmo seus ensaios são secretos, por medo de ofender as autoridades religiosas deste país ultraconservador.

The New York Times |

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Mas as participantes dessa primeira banda de rock só de meninas da Arábia Saudita, a Accolade, claramente não têm medo dos tabus.

O primeiro single da banda, "Pinocchio", se tornou um sucesso fora do circuito comercial, com centenas de jovens sauditas baixando a música diretamente de seu website. Agora, o pioneiro jovem quarteto, formado por estudantes universitárias, quer realizar shows regulares (dentro de lugares fechados, é claro) e gravar um álbum.

"Na Arábia Saudita, isso é um desafio", disse a vocalista da banda de cabelos espetados, Lamia, que tem piercings na sobrancelha esquerda e no lábio inferior. (Como as outras, ela deu apenas seu primeiro nome.) "Talvez nós sejamos loucas. Mas queremos algo diferente".

Desafio

Em um país onde as mulheres não podem dirigir e raramente aparecem em público sem cobrir os rostos, a banda é realmente diferente. A ideia de roqueiras tocando guitarras e berrando letras raivosas sobre relacionamentos que não deram certo (tema de "Pinocchio") seria impossível aqui em outras épocas.

Mas o rígido código de conduta moral deste país lentamente se desfaz, especialmente em Jiddah, de longe a cidade mais moderna do país. Há uma década a política religiosa aterrorizava mulheres que não se vestissem de acordo com os padrões. Mulheres com cabelos longos chegavam a ser arrastadas até a delegacia onde tinham a cabeça raspada, ou pior.

A mudança se tornou mais perceptível depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando os sauditas confrontaram os efeitos do extremismo tanto dentro quanto fora do país. Mais de 60% da população saudita têm menos de 25 anos e muitos pedem mais liberdade.

"A nova geração é diferente da antiga", disse Dina, 21, guitarrista e fundadora da Accolade. "Tudo está mudando. Talvez em 10 anos será OK ter uma banda que se apresente em público".

Por ROBERT F. WORTH

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