Gana se torna destino turístico sem evitar passado trágico

Ao meio-dia, o calor era tão palpável que tinha sua própria cor, um pulsante e iridescente amarelo.

The New York Times |

Eu parei em uma pequeno mercado e comprei um abacaxi descascado e fatiado, doce e suculento, não como os abacaxis azedos dos mercados de Vermont, nos EUA. Então eu parei uma jovem mulher que levava uma bandeja de ovos cozidos na cabeça. Ela desceu a bandeja, se ajoelhou e, com uma sacola plástica sobre a mão, descascou e salgou um ovo para mim. Para completar minha refeição, eu comprei um pequeno sachê de água filtrada de um menino que levava um balde cheio deles na cabeça.

Eu estava no Mercado de Kotokuruba na Costa do Cabo, uma cidade de cerca de 82 mil pessoas na nação africana de Gana, na manhã de uma quarta-feira do verão passado. O mercado estava tomado pela música, do hip-hop, que pulsava de alto-falantes, a tambores tribais.


Gana atrai turistas do mundo inteiro / NYT

Táxis disputavam espaço com pedestres usando buzinas como sua arma e as barracas pareciam vender de tudo - machetes e enormes panelas de ferro fundido, DVDs piratas e estilingues caseiros.

Um ferreiro trabalhava sobre um pedaço de ferro em um forno ao ar livre. Eu comprei uma de suas criações anteriores: um gangkogui, ou uma espécie de sino de vaca comprido, do tipo usado como acompanhamento para as percussões em cerimônias locais. Seu metal foi moldado em curvas elegantes, quase arabescas.

Gana, cuja população girava em torno de 18,5 milhões de pessoas em 2000, foi lançada ao cenário mundial no mês passado quando presidente Obama escolheu visitar o país ao final de uma excursão ao exterior que o levou também a Rússia e China.

Gana é conhecida principalmente por seu papel trágico como um ponto de remessa de africanos tirados do continente para servir como escravos nas Américas, uma história que Obama enfatizou a suas filhas, Malia e Sasha, que o acompanharam ao lado de sua mulher Michelle.

Mas como uma das poucas nações africanas com uma história de tranquilas transições de poder em eleições livres, Gana também representava a plataforma ideal para o discurso do presidente que pediu que os africanos abracem a democracia.

Além disso, como um país de língua inglesa com abundantes recursos naturais e imensa cultura, hoje Gana atrai turistas de todo o mundo que não apenas querem explorar o passado escravocrata do país, mas também desejam uma experiência africana agradável.

A cidade ganense mais conhecida dos estrangeiros é Acra, a capital, uma cidade interessante mas densamente povoada e freqüentemente cacofônica de cerca de 1,6 milhão de habitantes no Golfo da Guiné.

Mas uma viagem memorável pode ser encontrada na Costa do Cabo, no sudoeste do país, uma região com um pôr-do-sol atordoante, tradições de pesca de 400 anos e os fortes históricos mais bem preservados dentre aqueles que geraram muitas lágrimas.

E em todos os lugares, a amigabilidade da qual os ganenses tanto se orgulham.

Gana não evita seu passado e está criando um novo futuro tendo em vista o eco-turismo (em aldeias remotas e densas florestas tropicais, bem como nos mais proeminentes parques nacionais).

Maia Angelou, que morou vários anos em Gana, descreveu o país como um lugar "que melhora a qualidade da humanidade do homem em habitar". Gana é assim.

- LABAN CARRICK HILL

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